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Ronaldinho sai pela porta do fundo

Almir Leite

29 de setembro de 2015 | 12h16

Realisticamente, não se esperava mesmo muito da contratação de Ronaldinho Gaúcho pelo Fluminense. Não no aspecto técnico. Foi uma jogada de marketing, para aumentar o número de sócio-torcedores e vender mais camisas, como a condição salarial tornada pública – indecentes (para um País em crise e com o nível de desemprego aumentando a cada dia) R$ 600 mil mensais, que poderiam ser acrescidos de mais R$ 200 mil se os negócios caminhassem bem.

Mas, para a jogada de marketing dar certo, era preciso que Ronaldinho fizesse alguma coisa dentro de campo. Esporadicamente. Um passe para gol, um gol de falta… Lampejos do craque que um dia foi. Coisa bem no varejo mesmo. Algo como na estreia, quando, mesmo jogando fora de posição, no único momento em que ocupou uma faixa mais familiar no campo deu o lançamento longo para Wellington Paulista ajeitar de cabeça e permitir a Marcos Junior fazer o gol da vitória sobre o Grêmio.

Era coisa bem no varejo mesmo. Nada a ver com o aspecto técnico e sim com o marketing. Não precisava muito.

Nem isso Ronaldinho fez no Fluminense. Já chegou pedindo, e ganhando, férias, após ficar meses de férias no México – no Querétaro ao menos fez alguma coisa, cumprindo sua missão varejista.

Voltou e não entrou em forma. Por quê? Simples. Porque não quis, não estava interessado. Aliás, faz tempo que Ronaldinho não está interessado na carreira. Nem no Atlético, onde foi recebido e tratado como rei (ainda é reverenciado), a rigor ele foi tudo isso que se fala. Mas foi importante enquanto quis. E, quando passou a não querer mais, encontrou alguém com coragem (Levir Culpi) de lhe dar um sutil, educado, mas honesto pé no traseiro.

Ronaldinho, na modesta opinião deste blogueiro, foi o jogador mais talentoso que surgiu no futebol mundial nas duas últimas décadas – enfatizo: refiro-me única e tão somente ao quesito talento.  Mas brilhou por pouco tempo.

Na seleção, por exemplo: escondeu-se na Copa de 2006, aquela que seria a sua Copa, e em 2013, quando poderia recuperar o status, simplesmente jogou por terra a oportunidade de disputar a Copa das Confederações, e por consequência a Copa do Mundo no ano seguinte, por chegar atrasado (e, dizem, “alegre demais”, embora isso não se possa comprovar) à apresentação para um amistoso contra o Chile em Belo Horizonte. O hotel ficava a poucos quilômetros de sua casa, mas ele se atrasou e queimou-se vez com Felipão.

Ronaldinho pode fazer o que quiser da vida.  Tem esse direito (nem todo ser humano desfruta da mesma possibilidade na vida real) e dinheiro não lhe falta – mesmo porque seu irmão e empresário, Roberto Assis, que foi um jogador pra lá de meia-boca, tornou-se um eficientíssimo captador de recursos.

Para quem gosta de futebol, no entanto, independentemente das cores pelas quais torce, é triste ver um jogador como Ronadinho ter um fim melancólico como o dele. É provável que continue perambulando por aqui e por ali por mais algum tempo, amealhando alguns punhados de dólares a mais em troca de vender ilusões. Vender e não entregar. Triste.