São Paulo arrisca o primeiro lugar do grupo na Libertadores; o Flu, a própria classificação
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São Paulo arrisca o primeiro lugar do grupo na Libertadores; o Flu, a própria classificação

Tricolor paulista se complica pela opção de utilizar reservas contra o time mais forte da chave. O carioca por achar que estava jogando bom futebol

Almir Leite

19 de maio de 2021 | 13h57

São Paulo e Fluminense vinham bem na Libertadores. No momento de definição dos grupos, porém, acabaram se complicando por motivos diferentes, que podem ter consequências diferentes também.

O São Paulo possivelmente vá pagar com a perda do primeiro lugar no grupo a decisão de jogar com um time reserva contra o Racing.

O blog não criticou o planejamento feito pelo Tricolor paulista para enfrentar o insano calendário brasileiro e sul-americano, e não o fará agora que o primeiro lugar na chave escorre pelos dedos.

Mas acha necessário pontuar que o time reserva do São Paulo tinha plenas condições de vencer Ferroviária e Mirassol pelo Campeonato Paulista e também o Rentistas pela Libertadores – algo que só não ocorreu pelo pênalti perdido por Vitor Bueno e, sobretudo, pela atuação do goleiro uruguaio.

Roger Machado precisa se curvar às evidências e criar alternativas para o Fluminense

Bater o Racing, porém, desde o jogo em Buenos Aires ficou claro que seria missão mais afeita ao time titular.

A pressão pelo título paulista em um clube que há quase nove anos não sabe o que é levantar uma taça – o próprio estadual não é ganho desde 2005 -, porém, fez  os titulares  se cansarem em jogos fáceis.

Por isso, precisaram descansar para os jogos que serão complicados, os contra o Palmeiras, justamente no duelo contra o rival mais forte da Libertadores.

A conta veio. Derrota e virtual perda do primeiro lugar da chave, o que deve representar maiores dificuldades no mata-mata.

Faz diferença ser primeiro ou segundo na fase de grupos da Libertadores sim.

Esse papo de que time que quer ser campeão não escolhe adversário é mais uma das muitas mentiras, uma das maiores, do futebol.

Pelo simples motivo de que quanto menos pedra tem o caminho, mais fácil se chega ao destino, que é o que interessa.

Essa é uma opção que o São Paulo teve de arriscar desprezar. E que, na Libertadores, pode custar caro.

O Fluminense poderá pagar mais caro ainda, com a desclassificação, mas por outro motivo: a ilusão dos resultados.

O time não consegue fazer uma partida inteira de bom nível. Tem momentos bons, mas em todos os jogos, na maior parte do tempo, a produção é ruim.

A irregularidade apresentada jogo após jogo vinha sendo compensada com dedicação, vontade. E isso escondeu os muitos problemas da equipe.

Rotineiramente, o Fluminense sai atrás no placar – foi assim até no primeiro jogo com a pequena Portuguesa, na semifinal do Carioca – e depois corre atrás. Empata ou vira.

Estava na cara, pois o futebol é assim, que um dia isso não ocorreria.

E como o futebol também ensina, normalmente a “sorte” falta em momentos decisivos. Foi o que aconteceu diante do Junior Barranquilla.

Ainda dá tempo de reagir, mas, para isso, o técnico Roger Machado precisa rever seus  conceitos.

Não porque sejam ruins, mas porque sempre é preciso ter alternativas, algo que o Flu de Roger não tem.

O time joga sempre da mesma maneira, taticamente, e ele faz sempre as mesmas substituições.

Contra o Junior, ao contrário do que Roger disse, o time cedeu um contra-ataque atrás do outro.

Era preciso uma coisa básica, reforçar a marcação, até para poder de atacar sem se expor.

Roger não percebeu ou não quis mexer. E o castigo veio no segundo gol, quando o colombiano teve grande liberdade para concluir, situação ilustrada pela correria desesperada, e sem sucesso, de Yago Felipe para tentar combatê-lo.

O Flu também tem uma decisão pela frente, de um título que não conquista há oito anos e que, apesar de não ser muito importante, pode ser ganho em cima do maior rival – que, diga-se, tem muito, mas muito mais time.

Para isso, porém, o Tricolor carioca terá de rever conceitos, para ao menos poder lutar.

Isso vale para o Carioca e na próxima terça-feira, contra o River Plate.

Do contrário, o Fluminense será mais uma vítima da ilusão. E não poderá reclamar.