São Paulo satisfaz desejo e adere à modinha com um treinador “verde”
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São Paulo satisfaz desejo e adere à modinha com um treinador “verde”

Hernán Crespo tem trabalho curto e pouco expressivo, apesar de uma conquista, como técnico. Estará preparado para comandar um gigante combalido?

Almir Leite

12 de fevereiro de 2021 | 16h12

O São Paulo sempre teve uma quedinha por treinadores não-brasileiros. Assim, e ainda por cima motivado pela onda atual no futebol brasileiro, foi natural a opção por Hernán Crespo como sucessor de Fernando Diniz. O argentino foi escolhido após um processo de entrevistas com inúmeros técnicos que não têm o português como idioma oficial – com exceção dos candidatos que eram portugueses de Portugal, ora pois.

Resta saber se o ex-atacante terá vida longa no Morumbi, tanto no sentido de tempo para trabalhar como no de tempo de trabalho. Até porque ele não passa de uma grande incógnita.

Sejamos francos: à parte toda a propaganda favorável, toda a badalação que a cartolagem são-paulina fará em torno da contratação no treinador, por ser característica da pomposa turma do Morumbi e por ser natural e adequado em momentos como esses, a rigor não se sabe o que esperar do argentino na prática.

Crespo com a taça da Copa Sul-Americana. Fazer o São Paulo campeão é um de seus desafios

Isso porque Hernán Crespo, 45 anos, ainda é verde como treinador. Começou em times profissionais em 2015 no modesto Modena, um time de divisões inferiores na Itália, e não fez bom trabalho. De volta à Argentina, treinou o Banfield entre 2018 e 2019 e foi demitido após curtos 18 jogos, em que obteve apenas 4 vitórias.

Aí, rolou a experiência bem-sucedida no pequeno Defensa y Justicia, conhecido no Brasil por aprontar contra times poderosos como o próprio São Paulo, e onde a cobrança é bem pequenininha. Sem pressão, Crespo ficou um ano e acabou conquistado o maior título da história do clube, a Copa Sul-Americana, numa final caseira com outro pequeno, embora um pouco mais tradicional, o Lanús.

É óbvio que não se conquista títulos sem méritos, sem fazer bom trabalho. E Crespo tem os méritos dele. Mas daí a dizer que é o técnico ideal para um clube onde cobrança é grande, a torcida é exigente, convive há anos com o trauma da falta de títulos e com a fama de amarelão vai uma grande distância.

Os predicados que levaram a diretoria à sua contratação, como o poder motivador, a exigência de que os comandados lutem sempre, algo bem familiar aos argentinos, e o apreço por um jogo altamente competitivo dão a ele bons créditos. E seu modelo de jogo, com transição rápida da defesa para o ataque a partir de uma saída de bola bem construída, como a de Diniz, mas de forma mais objetiva e segura, aliada à pressão forte sobre o adversário quando está sem a bola, também é bem-vindo.

No entanto, só o tempo dirá se Hernan Crespo está mesmo pronto técnica e psicologicamente para fazer um trabalho bem-sucedido e resgatar o moral de um time semi nocauteado como o São Paulo.