Se o São Paulo reagir, a culpa pela perda do título será dos jogadores
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Se o São Paulo reagir, a culpa pela perda do título será dos jogadores

Claro que técnico teve culpa na queda da equipe, mas atletas poderiam ter evitado que se perdessem tantos pontos bobos até que ele caísse

Almir Leite

01 de fevereiro de 2021 | 16h59

O São Paulo finalmente descobriu o culpado por todos os seus males. Fernando Diniz! Torcedores e analistas já sabiam faz tempo. Desde antes de ele ajudar o time a chegar à liderança do Campeonato Brasileiro. Mas as diretorias, a anterior e a atual, demoraram para perceber. Mas, na base do antes tarde do que nunca, livraram-se do treinador enquanto é tempo.

Há tempo? Este blogueiro acha que não. Ao São Paulo, faltam cinco jogos. 15 pontos em disputa. E o time está 7 atrás do líder, o Internacional (dia desses estava 7 pontos à frente). Ou seja , quase a metade dos pontos. Para retomar a ponta e levantar uma taça que há sete rodadas repousava placidamente em seu colo, o Tricolor teria de contar com uma queda pirambeira abaixo dos gaúchos – sem falar em Atlético Mineiro e Flamengo -, além de subir como foguete nessas cinco rodadas que faltam.

É altamente improvável que isso ocorra.

Fernando Diniz não resistiu aos maus resultados; a culpa é só dele?

O que se espera agora – e por isso a diretoria demitiu Diniz entendendo que dá tempo -, é que o São Paulo ao menos não perca a vaga direta na Libertadores. Para isso, o time tem de reagir.

É aí que a roda pega. Se o time/elenco do São Paulo mostrar uma reação imediata a partir de agora, a perda do título será responsabilidade dos jogadores. Por quê? Porque eles poderiam ter reagido antes. Como não o fizeram, perderam os pontos necessários para dar o título ao clube.

Essa história de time mudar treinador para dar um chacoalhão no grupo de jogadores e com isso iniciar uma reação me convence até a página 5, apesar de ser bastante comum no futebol.

O que não me convence é um time, com o mesmo elenco, melhorar imediatamente só porque trocou de treinador. Ainda que se mude esquema tático, ainda que se mexa na equipe, trocando peças, ainda que o técnico que chega tenha personalidade e método de trabalho totalmente diferentes daquele que saiu, é preciso de tempo para que implante, treine e faça funcionar suas ideias.

Com raríssimas exceções, treinador que chega só consegue ótimos resultados de maneira imediata quando o que sai foi derrubado pelos jogadores. Ou alguém acredita que o “trauma” pela eliminação da Copa do Brasil, argumento utilizado para justificar a injustificável queda de rendimento do São Paulo, será superado num passe de mágica só porque Diniz foi embora?

Em tempo: Fernando Diniz fez muita coisa boa neste mais de um ano no comando do São Paulo. Mas também fez muita besteira, dentro e fora de campo. Dentro, o maior erro foi a teimosia, que ele define com convicção, de não alterar a proposta de jogo, provisoriamente que fosse, de insistir em não um plano B. Até suas ousadas alterações táticas, como colocar Luan na zaga para colocar mais um homem de “criação” no meio-campo, tinha sempre o mesmo fundamento. Ou seja, mostra que precisa amadurecer e rever seus conceitos.