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Seleção brasileira perdeu o prestígio

Torcedor já não se importa com amistosos muito menos interessantes do que o acontece no futebol interno

Almir Leite

14 de novembro de 2019 | 15h15

O Brasil enfrenta a Argentina nesta sexta-feira, 15 de novembro. Muita gente sabe da “existência” desse amistoso. Poucos se importam com ele.  Sinal dos tempos. Já faz alguns anos que a seleção brasileira deixou de interessar ao torcedor. Só tem importância em competições oficiais, como Copa do Mundo  – e as eliminatórias que levam até ela -, Copa América e Olimpíada. De resto, é um estorvo.

Nesse momento, o torcedor está interessado mesmo é na reta final do Campeonato Brasileiro, que tem clube querendo tirar o título do Flamengo, outros lutando por vaga na próxima Libertadores, um grupo brigando para não cair. E o Brasileiro que gosta de futebol também presta atenção na final da atual Libertadores, para torcer ou para secar o Flamengo, conforme o caso. Seleção brasileira, portanto, não faz parte do menu da maioria dos torcedores.

O problema é que o desinteresse pelos rapazes convocados por Tite (aliás, alguns pouquíssimo conhecidos e outros com problemas de relacionamento com a bola) não é pontual. Não ocorre apenas porque a temporada dos clubes está na reta final. Nos amistosos de outubro já foi assim, nos de setembro também, nos do ano passado idem, e por aí vai.

Os amistosos obrigatórios para atender a um péssimo contrato feito há cerca de uma década pela CBF com uma empresa que ganhou o direito de organizá-los, em que via de regra os adversários são desprezíveis (não é o caso, claro, da Argentina);a preferência nas convocações por jogadores que estão na Europa – vários deles, por sinal, com passagem relâmpago pelos clubes brasileiros -; o desconforto, para não dizer má vontade, dos jogadores que deixam competições importantes por seus clubes para fazer amistosos que na prática nada valem…

Esses são alguns dos fatores que abalaram o prestígio da seleção perante o torcedor. Mas até do que os 7 a 1 impostos pela Alemanha em 2014 ou do baile que o time levou da Bélgica no primeiro tempo daquela partida de quartas de final da Rússia.

Exemplo do desinteresse é a cobertura da imprensa. Os grandes jornais já não vão mais atrás da seleção. As emissoras de rádio, também não, com raras exceções regionalizadas. A TV que paga para transmitir os amistosos está lá, claro. Mas o tempo de cobertura é menor. E as outras, que no passado iam para cobrir os treinos e depois do jogo fazer a cobertura dos vestiários, já não mais se abalam.

É triste, mas a seleção brasileira, outrora patrimônio maior da pátria de chuteiras, virou uma furada. Cabe à CBF, que enche as burras por conta da Amarelinha, mudar tal estado de coisas. Voltando a valorizar a seleção, exigindo a escolha de adversários e locais de jogos mais atraentes e até cobrando do próprio Tite que, sem deixar de lado a renovação, seja mais exigente em suas escolhas para formar o grupo.

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