Seleção brasileira tem no pachequismo seu maior adversário nesta fase pré-Copa do Mundo
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Seleção brasileira tem no pachequismo seu maior adversário nesta fase pré-Copa do Mundo

Fazer 5 a 1 na pobre Coreia do Sul não é mais que obrigação e não justifica a euforia externa que tende mais a atrapalhar do que a ajudar

Almir Leite

02 de junho de 2022 | 15h45

A seleção brasileira jogou bem? Jogou. Tem evoluído? Tem. Mostrou um bom padrão de jogo,  boa movimentação, variação de jogadas? Sim. E daí? fez tudo isso contra um adversário limitadíssimo, como atestam o pênalti que proporcionou a Neymar marcar seu segundo gol na partida e o “bolão” dado pelo zagueiro a Philippe Coutinho para que ele deixasse a sua marca em Seul.

Ainda assim, li e ouvi por aí referências sobre o aspecto positivo de a seleção, a cinco meses da Copa do Mundo, enfrentar como amistoso de preparação um adversário que no Catar será osso duro de roer para Portugal e Uruguai, e também para Gana, as outras seleções  que o Grupo H abriga junto com a Coreia do Sul. É duro. É osso!

Seleção brasileira fez a festa contra a Coreia do Sul, mas de prático amistoso pouco teve

Pior que isso é ouvir, e ler, que a seleção deu show, teve atuação destacada, deu um chocolate nos sul-coreanos.

Quanto exagero!

Jogar bem contra a Coreia do Sul é obrigação, e a seleção cumpriu a dela. Como, imagino, cumprirá contra o Japão. Não justifica o pachequismo, que aliás não acrescenta nada. Não esconde a realidade de que o Brasil chegará à Copa do Mundo sem ter se confrontado com seleções europeias para que pudesse aferir melhor o seu real estágio.

É fato que tudo indica que a seleção está no rumo certo. Bem preparada. Tite encontrou boas alternativas técnicas e táticas, o time faz tempo tem demonstrado boa disposição ofensiva, defende-se relativamente bem – claro que falhas individuais como a frouxidão de Thiago Silva no gol dos coreanos, ainda ocorrem – e faz jus a chegar à Copa na condição de UMA DAS favoritas.

Mas daí a se fazer um clima de quase já ganhou, o que é diferente de ser otimista, a distância é grande.

Sorte que Tite já parece ter percebido isso. Tanto que alertou que os “ruídos de fora” não podem contaminar o grupo. Faz bem, porque sabe que é nele que os pachecos de agora vão descer o porrete em caso de insucesso. E desta vez o porrete será mais grosso, posto que ele, de forma inédita, ganhou uma segunda chance após não passar das quartas em 2018.

Fazer 5 a 1 na Coreia do Sul não é motivo de euforia. O único aspecto positivo desta goleada foi confirmar que, caso os coreanos consigam o milagre de ir além da primeira fase na Copa e venham a encontrar a seleção de Tite nas oitavas de final, a ida do Brasil às quartas estará garantida.

Mas ainda tem bastante água para rolar até lá.