As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Seleção brasileira termina Eliminatórias em alta e se mostra bem preparada para a Copa do Mundo

Tite conseguiu dar padrão ao time, descobriu e consolidou novos jogadores; não há garantia do hexa, mas estágio da equipe é bom

Almir Leite

30 de março de 2022 | 16h49

Faltam, ainda, sete meses para a Copa do Catar. No futebol, é tempo demais. Em sete meses, muita coisa pode mudar. No entanto, e sem euforia, não se pode deixar de constatar que fazia tempo que a seleção brasileira não se mostrava tão bem preparada para um Mundial.

A manutenção de Tite após a eliminação nas quartas de final na Rússia foi uma decisão acertada. O treinador aprendeu com sua primeira Copa, consertou erros, aparou arrestas, mudou direção, aprimorou o planejamento dentro e fora de campo. E descobriu nova maneira de o time jogar, além de algumas variações interessantes.

O Brasil de Tite é uma equipe com padrão de jogo. Forte na defesa, que joga em velocidade, alonga e aproveita os espaços no campo. A seleção aprendeu a se impor em campo, a ditar o ritmo, a ser vertical. Várias vezes, não joga um futebol bonito de se ver. Mas não se pode lhe negar a eficiência.

Tite conseguiu montar uma equipe forte, eficiente e sem depender de
Neymar

Outra vantagem importante: finalmente o Brasil se livrou da dependência de Neymar. É um processo que vem desde a Copa America vencida em 2019 sem contar com o seu principal jogador. Ele ainda é o principal astro, mas a equipe já sabe se virar sem ele. De maneira bastante eficaz, inclusive.

Um dos méritos de Tite foi não fechar com os jogadores – algo que fez em 2018 e lhe custou caro. Continua sem abrir mão daqueles em que confia plenamente, como Coutinho e Daniel Alves (algo que nessa altura da carreira do lateral parece arriscado). Mas com o passar do tempo se mostrou aberto a experimentar.

Assim, descobriu Raphinha, Vinicius Junior, Antony, Matheus Cunha e mais recentemente Bruno Guimarães, entre outros. Apostou em jogadores com bom poder de drible, leves, criativos, dinâmicos (caso do volante do Newcastle).

Claro que poderia ser melhor. O blog continua a lamentar a falta de chance a Raphael Veiga, Dudu, as poucas oportunidades dadas a Bruno Henrique e a Gerson quando eles faziam por merecer. Mas ao menos Tite não ficou estático em suas posições.

Evidentemente que o bom estágio atual da seleção, dentro do processo de consolidação, crescimento e manutenção idealizado pelo próprio treinador, não é garantia de nada na Copa do Mundo. Ainda há incógnitas. Por exemplo: não se sabe como a seleção vai se comportar diante de adversários europeus, visto que o Brasil não fez amistosos contra eles depois que a equipe de consolidou.

Também não se sabe ainda – conheceremos na próxima sexta-feira -, detalhes sobre a caminhada. Há o risco de a seleção cair num grupo com Alemanha ou Holanda, rivais que sempre dificultam para o Brasil. E numa Copa poder ter uma trajetória mais tranquila, ao menos na fase de grupos e nas oitavas de final, pode fazer diferença física e mental quando a competição se afunila.

Falar em hexa é prematuro. Mas acreditar que ele possa ser conquistado já é possível.  Fraqueza dos adversários das Eliminatórias Sul-Americanas à parte, a seleção brasileira  mostrou estar no caminho certo.