Seleção olímpica mostra ser um manancial para Tite acertar seu time
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Seleção olímpica mostra ser um manancial para Tite acertar seu time

Equipe que está no Japão tem vários jogadores que podem contribuir mais para a seleção principal do que alguns queridinhos do treinador

Almir Leite

22 de julho de 2021 | 11h44


O Brasil poderia ter goleado a Alemanha na estreia no torneio olímpico masculino de futebol. Poderia ter feito pelo menos o dobro de gols. Não seria nada mal porque, depois da tragédia de 2014, ganhar dos alemães até no jogo de patilinho passou a ter sabor especial. Mas a seleção de André Jardine quase complica uma partida incrível e inesperadamente fácil.

Vamos a alguns defeitos, então. A seleção composta por garotos e um vovô cometeu um pecado característico desde sempre do futebol brasileiro: o de não matar o jogo. Há várias gerações que nossos jogadores têm a mania de, ao perceber que a coisa está fácil, trocar a objetividade pelo rebuscamento, o requinte, e isso muitas vezes custa caro.

Claudinho é um jogador que merece ser testado na seleção principal

Mas na estreia olímpica o Brasil mostrou um problema ainda mais grave, até porque se repete a cada jogo: a fragilidade defensiva. Se um dos motivos do passeio em Yohohama (sim, vitória por dois gols a parte, foi um passeio) foi a lentidão da zaga alemã, a zaga brasileira, sobretudo Nino, não fica atrás na “tartaruguisse”.

Para piorar, os zagjueiros estão quase sempre mal colocados, marcam a bola. Por isso, a seleção olímpica leva muitos gols, como ocorreu na maioria dos jogos preparatórios.

Jardine precisa corrigir isso, e não precisa trocar peças. Basta melhorar o posicionamento, a proteção da zaga e a cobertura dos laterais.

Porque, de resto, a seleção vai bem. E aí estão os méritos do time. Ofensivamente, a seleção está bem resolvida. Tem jogadores rápidos, habilidosos, que se movimentam bastante e que, mesmo sem o entrosamento ideal, estão se entendendo bem.

A equipe cria muitas chances concretas de gol – contra a Alemanha, foram 24. Reflexo da proposta de jogo, mas também da qualidade dos jogadores.

É aí que entra o alerta para Tite. Conservador ao extremo, ele tem uma base na seleção principal e praticamente não abre mão dela, mesmo quando o time peca pela falta de alternativas técnicas e táticas, como se viu na Copa América.

Se quiser ter mais chance de sucesso na Copa do Catar, Tite precisa começar a dar chance a jogadores do time olímpico. Inclusive para alguns que, por várias circunstâncias, não estão no Japão, como Pedro.

Mas da turma que está no Japão há opções bastante interessantes. Matheus Cunha, por exemplo, gols perdidos à parte, pode resolver o problema do comando do ataque – até porque Tite não morre de amores por Gabigol.  Claudinho merece chance no meio de campo do time principal, assim como Bruno Guimarães – que o treinador já levou para seu grupo, aliás.  Na lateral esquerda, embora com deficiências defensivas, Guilherme Arana é melhor opção do que aqueles que ele normalmente convoca.

E por aí vai. Independentemente do resultado final, essa seleção olímpica poderá dar uma forte contribuição para a seleção principal. Basta Tite deixar seu protecionismo de lado e começar a convocar quem vem pedindo passagem.