Superliga da Europa, o negacionismo dos imbecis que invadiram o futebol
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Superliga da Europa, o negacionismo dos imbecis que invadiram o futebol

A estapafúrdia e absurda iniciativa de criar uma reserva de mercado para a elite é o maior saque da história do futebol

Almir Leite

19 de abril de 2021 | 16h11

O futebol mundial está sofrendo a maior tentativa de saque de sua história de pouco mais de um século e meio, se considerarmos como recorte de tempo a criação, em 1863, da The Football Association, que estabeleceu as bases e as regras do jogo, na Inglaterra.

E é justamente da Inglaterra que vem a maioria dos saqueadores atuais, na sua maioria empresários ganaciosos, que têm pouca ou nenhuma afinidade com o futebol e que só veem na sua frente cifrões.

Por isso, a absurda, estapafúrdia e até criminosa iniciativa de criar a tal Superliga Europeia, competição de elite, que proporcionará aos acionistas desses clubes, os abutres travestidos de empresários,  grandes lucros.

Impondo a todo o resto a condição de pobres, quando não de miseráveis, do futebol.

Protesto de torcedores do Liverpool em Alfield vai direto ao “x” da questão: Dê-nos o nosso jogo de volta.

Manchester United, Manchester City (pobretão até outro dia, e que mudou de vida com a chegada de um sheik), Chelsea (também pobre até um russo começar a colocar lá seu dinheiro,  cuja origem é motivo até hoje de controvérsia), Liverpool, Arsenal e Tottenham (clube de exemplar estrutura, mas cuja coleção de  troféus carece de sala para abrigá-los, pois cabem na despensa) são os ingleses que querem a reserva de mercado.

A eles se juntam os riquíssimos espanhóis Real Madrid e Barcelona e o muito bem de vida Atlético de Madrid, clubes cuja administração é mais afeita aos moldes do futebol, mas a ganância de seus presidentes é igual a dos parceiros ingleses.

Fecham a lista Milan, Inter de Milão e Juventus.

Ou seja, 12 clubes de apenas 3 países querem dar as cartas no futebol europeus (e por extensão, mundial) e, acima de tudo,  ganhar muito dinheiro fazendo um torneio no qual terão cadeira cativa – pois já definiram que não serão rebaixados.

Mas, magnânimos que são,  a cada ano receberão alguns convivados – que entrarão na festa para apanhar, não para comer os salgadinhos.

A esses abutres o que interessa, repito, é o dinheiro. A eles não importa saber como o futebol funciona, o que realmente importa, o que o leva a ser o esporte preferido mundialmente.

A eles não importam nem os torcedores, pois o dinheiro estará garantido pelo contrato de exibição dos jogos pela TV e pelos patrocinadores e investidores da empreitada.

O desinteresse pelos torcedores ficou claro pelo horário de lançamento da Superliga: fim de noite na Europa, mas dia claro na Ásia, de onde esperam que venham as maiores audiências televisivas e a grana dos investidores para encher seus cofres.

Não é de surpreender. Como não conhecem o futebol, negam que tudo que move esse esporte tenha importância.

Clubes têm o direito, e até o dever, de faturar o máximo possível. É admissível que reclamem dos ganhos recebidos das entidades que os têm sob controle, como a Uefa no caso específico, que nunca são generosas na hora de repartir o pão.

Daí a fazer algo que só os beneficiem, deixando centenas de outros clubes à míngua, é atitude baixa, rasteira, e até criminosa.

Então, que pressionem os cartolas de federações nacionais, continentais e a Fifa a serem mais justas. Que façam valer os seus direitos sem prejudicar os outros clubes.

Que parem de querer saquear o futebol.