As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Superliga naufraga, mas a ambiciosa Uefa também sai arranhada

Torpedeamento ao projeto dos clubes que querem virar donos do espetáculo não significa que a comunidade do futebol ficou ao lado da entidade

Almir Leite

21 de abril de 2021 | 13h58

A morte horas depois do nascimento da Superliga Europeia não significa que a Uefa saiu fortalecida do episódio.

Ao contrário, a entidade ficou bastante arranhada e tudo indica que vai ter de fazer muito mais do que inchar a Liga dos Campeões se quiser evitar nova sublevação daqui a algum tempo.

O projeto dos 12 que se consideram os donos do futebol foi abortado pela pressão geral – de torcedores, jogadores, treinadores, dirigentes que foram excluídos do “clube do bolão” – por ser exdrúxulo, oportunista, elitista.

Porque claramente iria fazer mal para o futebol.

Não porque a comunidade do futebol ficou do lado da Uefa.

Guardiola criticou fortemente a Uefa por explorar os jogadores pensando só no dinheiro

Para a entidade, sobrou uma mensagem clara: precisa parar de pensar só em dinheiro e deixar de sacrificar a principal matéria prima do futebol, o jogador.

As críticas feitas por dois treinadores, Pep Guardiola e Ronald Koeman, vão direto ao ponto.

Condenam a Uefa por criar torneios como a tal Liga das Nações e por inchar outros, como a própria Liga dos Campeões,  de olho apenas no faturamento.

A Uefa não se preocupa, acusam, com o bem-estar dos jogadores.

Faz com que joguem demais, ainda que se estourem ou que baixem de rendimento, para satisfazer interesses financeiros.

Guardiola citou a contusão de Lewandowski jogando pela seleção polonesa, lesão esta que o tirou do Bayern de Munique na reta final da temporada.

Deu o caso como exemplo do prejuízo técnico e financeiro que jogos fora de hora podem causar para quem paga o salário do jogador, o clube.

Lewa se contundiu em jogo pelas Eliminatórias da Copa de 2022,  ou seja,  jogo relevante para o futebol.

O ponto que o espanhol quer chegar é outro: se o calendário não fosse tão inchado por competições inúteis, jogos de seleção não precisariam ser realizados na reta final da temporada dos clubes.

Seriam deslocados para outros períodos.

Koeman também foi contundente. Disse que os organizadores do futebol têm de ouvir mais  jogadores e treinadores e os acusou de só pensar em dinheiro.

E afirmou em alto e bom som que isso não pode acontecer.

É fato que os 12 que tentaram virar donos do futebol europeu também só pensam em dinheiro.

Por isso tiveram as caras quebradas e precisaram colocar os rabinhos entre as pernas.

Mas  é bom a Uefa colocar as barbas de molho, deixar a ambição de lado e passar a escutar e a valorizar os profissionais da bola.

Do contrário, poderá enfrentar nova insurreição.

Desta vez, de quem faz realmente o espetáculo.

Se isso acontecer, esta guerra a entidade irá perder.