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Técnico de futebol no Brasil não se dá ao respeito

Trocar de clube na reta final de um campeonato passa bem longe do profissionalismo que eles tanto defendem

Almir Leite

29 de novembro de 2019 | 14h58

No futebol brasileiro não surpreende clubes trocarem de treinador a qualquer momento. Mas o blogueiro admite que ficou surpreso com o movimento inverso, ou seja, treinadores trocaram de clube nesta altura do Campeonato Brasileiro. Não enxerga o menor sentido em, a três rodadas do final, Adilson Batista trocar o Ceará pelo Cruzeiro horas depois de ser demitido e Argel Fucks preferir correr o risco de cair com o Ceará em vez do CSA.

Note-se que são dois treinadores que estão há algum tempo no mercado, e que, a rigor, jamais fizeram um trabalho digno de destaque – Adilson, é verdade, teve uma boa passagem pelo Cruzeiro cerca de dez anos atrás. E que estavam sem emprego há bom tempo, antes de assumirem Ceará e CSA.

Adilson, ao assumir o Cruzeiro, e Argel, ao “pegar” o Ceará, trocaram um barranco por outro.

Também surpreendeu este blogueiro o movimento inicial dessas mudanças. Abel Braga nunca foi de abandonar o barco – talvez o maior exemplo disso tenha ocorrido em 2003, na Ponte Preta, quando chegou a tirar dinheiro do bolso para ajudar os jogadores a manterem suas famílias, pois o clube atrasou o pagamento de salários por meses a fio, mas só deixou o Moisés Lucarelli ao final da temporada.  Abel, porém, demonstra não ter mais a mesma garra, e, tendo passado pelo que ele passou, é compreensível.

A saída de Abel do Cruzeiro desencadeou as trocas. Adilson, amigo de longa data de Zezé Perrela, não titubeou em assumir o risco de cair pelo time mineiro horas depois de ter se livrado da responsabilidade (na realidade livraram ele) direta pela queda do Ceará. Sua saída abriu uma vaga, imediatamente preenchida por Argel, que trocou se precipício sem pestanejar.

Ambos podem falar o que quiserem, que a oferta foi irrecusável, que o projeto é bom, blablablá, blablablá. Não vão convencer.

Talvez tenham mudado de casa porque esperam, ou sabem, que chegando a um novo clube para fazer apenas três jogos antes do fim do campeonato, mesmo que sejam rebaixados terão chance de ao menos iniciar a próxima temporada.

Mas são movimentos como esses que minam o prestígio dos técnicos brasileiros. Podem até argumentar que os clubes os jogam às traças sem o menor pudor. No entanto, deveriam agir de maneira diferente. Deveriam se dar ao respeito, respeitando clubes, jogadores, torcidas…

Até nisso os treinadores estrangeiros são melhores.

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