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Tiago Nunes na guilhotina comprova o eterno amadorismo existente no futebol brasileiro

Trabalho não é o esperado, mas demiti-lo se tropeçar no clássico não ajudará o Corinthians

Almir Leite

22 de julho de 2020 | 11h56

O Campeonato Paulista volta a ser disputado nesta quarta-feira após quatro meses. De cara, um Corinthians x Palmeiras, clássico que dispensa apresentações. Jogo que sempre está envolto em grande expectativa. Desta vez, entre outros motivos, há a curiosidade de ver como se comportarão os times após a longa parada forçada, ainda mais depois das perdas de atletas que tiveram. Outro aspecto interessante é saber se o Corinthians, à beira do precipício e com apenas um pé na terra, conseguirá se equilibrar e sobreviver ou vai ser empurrado pirambeira abaixo pelo maior rival?  Mas o tema que quase monopoliza o clássico é outro: o futuro de Tiago Nunes.

O técnico do Corinthians retoma seu trabalho com o pescoço na guilhotina. Pelo menos são esses os comentários de boa parte da imprensa, nos papos virtuais e até nas rodas de bar (ainda discretas e escondidas, mas que a rigor não cessaram em muitos lugares). Basicamente, a situação nessas conversas é a seguinte: se o Corinthians ganhar o carrasco não solta a lâmina; se perder, Tiago ficará sem a cabeça.

É fato que sob o comando de Tiago Nunes o Corinthians está devendo em performance e em resultado, tanto que dificilmente evitará a eliminação precoce no Paulistão – isso sem contar que matematicamente ainda corre risco de rebaixamento. Mas, mesmo considerando-se que perder para o Palmeiras é pecado capital no Corinthians (e vice-versa), demitir um treinador após um jogo é algo descabido.

Claro que se pode alegar que não é somente um jogo – o Corinthians jogou 12 vezes com Tiago no banco.  Mas, por outro lado, a parada zerou tudo. Além disso, o Corinthians foi o campeão de jogadores contaminados com covid-19, com mais de duas dezenas de infectados,  perdeu oito jogadores de um elenco que já era bem meia-boca e não terá seu único reforço expressivo, o veterano Jô. Ah, e o salários estão atrasados.

Analisando com frieza, não dá para esperar muito do Corinthians, nem no clássico nem nos próximos jogos. Se vier coisa muito boa, será surpreendente.

Por tudo isso, é um exagero querer sacrificar Tiago Nunes. Mas o futebol é assim, exagerado. Principalmente o futebol brasileiro, eternamente envolto num amadorismo que muita vezes serve como desculpa para disfarçar as decisões tomadas unicamente por paixão, covardia e incapacidade de suportar pressão e crítica.

Talvez a sorte de Tiago – um técnico que a mim, apesar do excelente trabalho no Athletico Paranaense, trabalho este feito em boa parte em gramado sintético, ainda está longe de convencer como sendo de primeiro nível – seja ter como chefe alguém não afeito a trocas de treinadores apenas para agradar os desafetos.  Teve uma vez que Andrés Sanchez remou contra a maré e o Corinthians acabou ganhando o mundo.

Do jeito que as coisas andam agora no Corinthians, dá para cravar que o raio não cairá novamente no mesmo lugar. A fase no Parque São Jorge é de olhar para baixo e não para cima.  Não há a menor condição de o time voltar a disputar um Mundial no momento. Mas dar um tempo maior para Tiago implantar, ou pelo menos tentar, pode ajudar, um pouco mais à frente, a reduzir o estrago.

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