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Tite confirma que a renovação da seleção brasileira será gradual. E está certo

Técnico chama 13 jogadores que estiveram na Copa, dá chance a alguns novatos, mas não vai abrir mão da prudência que o caracteriza

Almir Leite

17 Agosto 2018 | 15h30

Ao chamar para os primeiros amistosos pós-Copa 13 dos 23 jogadores que estiveram na Rússia – seriam 14, mas Ederson ficou de fora por questões particulares -, Tite mostrou ser Tite. Ou seja, nunca foi adepto de mudanças radicais, bruscas, e vai continuar assim. O que não quer dizer que não fará correções de rota. Mas isso só aparecerá com o reinício do trabalho e com o tempo.

Voltemos, por isso, aos 13. De certa maneira, pode-se entender que quem foi mantido no grupo teve a aprovação do treinador pelo que fizeram até a e na Copa. A permanência de Renato Augusto causou estranheza, mas devemos convir que contra todos os prognósticos sempre que ele entrou em campo na Rússia a seleção melhorou. O jogo com a Bélgica é o melhor retrato disso. Sem contar que o treinador ainda não achou o seu ritmista e Renato, de fato, tem a facilidade de perceber quando é para acelerar ou para pausar, por exemplo.

Willian tem a admiração de Tite, e não deixou de ser bom jogador porque foi mal na Copa. Não seria justo ser esquecido. Ao contrário de Paulinho, que por duas Copas seguidas só jogou bem em sua própria avaliação – e, convenhamos, embora exerça função importante no esquema do treinador e tenha sido bem útil nas Eliminatórias, não tem esse talento todo.

A manutenção dos outros 11 é natural, pois ainda têm lenha para queimar. Aí, uma observação. Thiago Silva e Filipe Luis, por exemplo, não deverão estar na próxima Copa. Mas como bem disse o coordenador de seleções, Edu Gaspar, o próximo ciclo de 4,5 anos será dividido em três fases.

Por isso, os “veteranos” são importantes nas duas primeiras, a saber: a de observações de novatos que será feita até dezembro e a de preparação para a Copa América do Brasil, na metade do próximo ano.

Tite sabe, e disse isso, que depende de resultados. E ganhar a Copa América pode evitar problemas. Dentro dessa lógica, é certo que terá uma seleção com jogadores experientes, na idade e na equipe (como Gabriel Jesus), e alguns novatos que estão despontando agora.

O treinador só vai acelerar a renovação a partir da fase três, pós-Copa América, e que terá como alvo a Copa do Catar, em novembro de 2022. Não é demais lembrar que a partir do final do próximo ano haverá Eliminatórias, outro indicador de que mesmo a uma velocidade maior, a renovação não vai exceder os limites da prudência característica de Tite.

Mas será feita, como mostram as convocações de Arthur, Pedro, Paquetá, Everton, Andreas Pereira, na largada da tal fase um.