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Tite perderá poder com a saída de Edu Gaspar

Opinião do treinador não será considerada na escolha do sucessor do atual coordenador de seleções; ele diz que não vai interferir no processo

Almir Leite

07 de maio de 2019 | 22h59

A saída de Edu Gaspar do cargo de coordenador de seleções da CBF depois da Copa América – nem o profissional nem a entidade confirmam oficialmente a ida para o Arsenal, mas também ninguém desmente de maneira veemente, pois seria embaraçoso desmentir – terá como uma das consequências a perda de poder do técnico Tite. Unanimidade até a Copa do Mundo, ele passou a ser visto como simples mortal, dentro e fora da entidade, após o fracasso na Rússia. E, apesar de seu trabalho ainda merecer bastante crédito, Tite já não reina soberano.

Com isso, o treinador, que ao ser contratado em 2016 por Marco Polo Del Nero indicou seu superior hierárquico (Edu), não conseguirá fazer o mesmo agora. Mesmo que conquiste o título da Copa América, terá de ficar no seu quadrado, no limite de sua função de treinador.

Isso significa que ele não emplacará Duílio Monteiro Alves, atual diretor de futebol do Corinthians, como substituto de Edu. Tite gostaria de vê-lo no cargo, pois o conhece dos tempos em que trabalharam juntos no Parque São Jorge (o treinador garante que não pretende influenciar no processo – leia ao final do texto).

Não vai rolar, por vários motivos. O mais elementar: Duílio é ligado a Andrés Sanches, opositor do comando da CBF.

Há, porém, dois outros fatores contra ele. Um é a já citada disposição da CBF de tirar poder de Tite – ele continua absoluto em suas atribuições específicas de treinador, mas outros assuntos, como logística, têm de ser discutidos com a cúpula da entidade e seus desejos podem não ser atendidos se não forem considerados viáveis e/ou práticos.

O outro é a disposição do presidente Rogério Caboclo, enfatizada tanto quando ele foi eleito, no primeiro semestre de 2018, como no mês passado, quando tomou posse, de dar cada vez mais espaço a ex-atletas nas atividades da CBF.  Juninho Paulista tornou-se diretor de desenvolvimento e Branco é o coordenador das seleções de base dentro dessa política.

A opção por prestigiar quem é do ramo ficou clara até na nota de esclarecimento divulgada pela CBF para tentar conter as notícias sobre a saída de Edu. No texto, após destacar que Edu tem contrato até a Copa do Mundo de 2022 e que, procurado pelo Arsenal, disse ao clube inglês que “no momento está focado exclusivamente na disputa da Copa América”, a entidade deixa claro que não tem lugar para Duílio ao desmentir “qualquer especulação em torno de nomes para o cargo de Coordenador”.

O texto prossegue: “A entidade tem clareza das qualidades necessárias para esta posição, que unem capacidade administrativa e grande experiência dentro de campo”. 

Para bom entendedor…

Tite, parece, entendeu. Tanto que teria dito que não vai se meter na indicação do sucessor de Edu Gaspar. Até porque seu poder já não é tão grande. E poderá ficar ainda menor caso o Brasil tropece feio na Copa América.

TITE NEGA TRABALHAR POR DUÍLIO
Após a publicação do texto,  Tite, por intermédio de sua assessoria, entrou em contato com o blog e disse que em momento algum sugeriu o nome de Duílio Monteiro Alves para o cargo de coordenador de seleções. E que não pretende nem tem interesse em interferir no processo.

 

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