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Tite resgata Fernandinho, mas inova pouco

Treinador leva 14 jogadores que estiveram na Copa do Mundo para a Copa América. Renovação mais efetiva fica para depois. É o peso de ter de ganhar.

Almir Leite

17 de maio de 2019 | 11h42

Fernandinho. Essa foi a grande, a rigor a única, novidade de Tite na formação do grupo  da seleção brasileira para a Copa América.  Novidade pelas circunstâncias.  O volante foi massacrado após a eliminação na Copa do Mundo – injustamente considerado o maior culpado por muitos, quando foram vários os culpados -, teve a família pressionada e ofendida, pensou em não mais voltar e retorna agora que baixou a poeira como uma espécie de resgate e agradecimento por parte do treinador por tudo o que sofreu.

Não vejo nenhum problema da convocação de Fernandinho do ponto de vista do futebol que ele joga. Considero-o um excelente jogador, mesmo com “Alemanhas e Bélgicas” em sua trajetória.  Entendo também que ele não deveria sair da seleção pelas portas do fundo, como ocorreria se não fosse mais chamado. Talvez apenas  não seja o momento.

Por quê? Porque, apesar da pressão que representa disputar uma competição como a Copa América no Brasil, da quase obrigação de ganhar depois de ficar pelo caminho na Copa do Mundo, o torneio poderia servir como uma “largada” para a renovação de maneira mais radical do grupo visando a Copa do Mundo de 2022. Fernandinho, hoje com 34 anos, dificilmente estará no Catar. E, a rigor, essa renovação feita agora, para uma competição oficial, é bem tímida.

O setor defensivo, por exemplo, só tem um nome novo: Eder Militão. Até Ederson e Marquinhos, relativamente jovens, estiveram na Copa do Mundo. E ambos têm 25 anos.

Do meio para frente, a situação melhora um pouco. Arthur, Paquetá, David Neres, Everton e Richarlison são as caras novas. Allan também é uma espécie de novato na seleção, mas já tem 28 anos.

Saudável, mas insuficiente.

Porém, não surpreendente. Tite nunca foi afeito a mudanças drásticas, mirabolantes. Prefere ir aos poucos. É uma maneira de pensar. Deve ser respeitada. No entanto, rever conceitos não deixa de ser positivo.

Tite optou por manter seu conservadorismo e por não abrir mão da grande parte dos jogadores em que confia. É uma maneira de se proteger.  Mas ele terá de mudar nas Eliminatórias. Por enquanto, talvez dê para tocar o barco.

Ah, e sobre a proteção a Neymar a gente fala depois.

 

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