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Tite vai ter de mudar a seleção também fora de campo

Nesse novo ciclo, treinador terá de fazer ajustes, a começar pelo tamanho da comissão técnica

Almir Leite

12 Agosto 2018 | 23h34

Tite faz na próxima sexta-feira a primeira convocação da seleção brasileira pós-Copa do Mundo. Já é grande a expectativa pelo início do processo de renovação do grupo de jogadores. A renovação vai acontecer, de maneira gradativa e alguns novos nomes irão aparecer na lista para os amistosos de setembro contra Estados Unidos e El Salvador. No momento, porém, mais importante não são as mudanças dentro de campo e sim fora dele.

Na Copa da Rússia, várias propostas da comissão técnica se mostraram improdutivas. Portanto, devem ser modificadas ou abandonadas. E serão. Essa é uma recomendação da nova direção da CBF – sim, nova, porque embora o coronel Nunes continue como presidente de direito, quem manda de fato é Rogério Caboclo, que oficialmente assume no próximo ano. Recomendação que se tornará exigência se necessário.

Não deve ser. Tite e o coordenador Edu Gaspar são inteligentes o suficiente para perceber o que não deu certo, o que não funcionou, ou o que simplesmente não era necessário.

O tamanho da comissão técnica, por exemplo. Vai diminuir. O grupo que foi à Rússia tinha inicialmente 41 pessoas, sem contar analistas de desempenho. Vai ser reduzido não só para  jogos amistosos – mesmo porque não teria lógica levar multidão para períodos que não chegam a 15 dias – como para torneios oficiais como a Copa América e a próxima Copa do Mundo, e as Eliminatórias.

Serão cortados preparadores físicos – Fabio Mahseredjian continua neste momento, mas está com o prestígio abalado depois do festival de contusão na época da Copa – e fisioterapeutas. O preparador físico Ricardo Rosa e o fisioterapeuta Bruno Maziotti são os primeiros a cair.

Rosa é ligado a Neymar, assim como o fisioterapeuta Rafael Martini, outro que foi à Rússia e que fica fora agora. Aliás, levar a turma do atacante à Rússia fez gente na CBF torcer o nariz – depois que o Brasil deu com os burros n’água, ressalte-se.

Agora, a orientação é para não haver privilégios. A não ser em casos excepcionais, todos os convocados, independentemente do status, serão atendidos pelos integrantes da comissão técnica. Nada dessa história de jogador levar seus próprios profissionais, ou de pedir sua contratação e ser atendido.

A disposição de atender aos pedidos de Tite e seus pares de comissão técnica continua. Mas, a partir de agora, haverá maior questionamento. É bom que seja assim. A CBF acertou em cheio ao manter o treinador.  No entanto, é preciso que erros que ocorreram na Copa, alguns involuntários, sejam corrigidos. E para isso, fazer cobranças em vez de deixar o barco navegar livremente, pode ser salutar.