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Título estadual vale pouco, mas experimente perder!

Estaduais de fato perderam a importância, mas não ganhá-lo e ainda perder para um rival cria problemas por vezes incontornáveis

Almir Leite

18 de maio de 2021 | 14h18

Ser campeão estadual não tem muita importância, vale pouco no futebol brasileiro desde pelo menos o início do século.

Mas experimenta perder.

Seja eliminado por um rival ou perca para ele a decisão para ver o que acontece.

Vagner Mancini foi, digamos, a  mais recente vítima dessa competição que quase não tem valor.

Perdeu para o Palmeiras e perdeu o emprego no Corinthians.

Crespo está fazendo excelente trabalho, mas sabe que ganhar o desimportante estadual virou obrigação

É fato que o que derrubou Mancini na prática foi o banho de bola que o time levou do Peñarol.

Foi o vexame em Montevidéu que o deixou na beira da ribanceira. O Palmeiras só deu o peteleco que o jogou montanha abaixo.

Mas deu.

A derrota do Corinthians para o maior rival e a consequente eliminação no Campeonato Paulista exemplificam o estrago que o Estadual pode fazer.

Abel Ferreira e Hernán Crespo, os finalistas do Paulistão, não correm o mesmo risco de Mancini.

Quem foi vice-campeão vai continuar a vida, ou seja o trabalho, sem precisar se preocupar em ficar sem emprego.

No entanto, ambos perceberam a importância de ser campeão de uma competição pouco importante.

Por isso deixaram momentaneamente a Libertadores em segundo plano para priorizar a decisão estadual.

Vão jogar com times reservas esta noite pela competição sul-americana.

O foco está nos jogos que farão na quinta-feira e no domingo.

A pressão no Palmeiras é bem menor. O time esteve perto da eliminação na primeira fase, seria até um alívio que  tivesse caído.

Como não caiu, e já que deixaram chegar…

Abel agora quer a taça. Para isso, mudou de estratégia.

Vai deixar de escalar o time B ou C no Estadual e colocar em campo os titulares.

Ele ainda desfruta do conforto de, com o bom elenco que tem, poder colocar um ou outra reservo, preservando o títular mais cansado.

Terá um time forte de qualquer maneira.

No São Paulo, Hernán Crespo vive lua de mel com dirigentes, torcida e imprensa, mas sabe que, se não tirar o time da fila de títulos, pode começar a viver um casamento normal.

Não seria justo começar a ser questionado por perder uma decisão para um adversário forte como o Palmeiras.

Mas a vida nem sempre é justa. No futebol então…

Por isso, e ainda que o time não esteja totalmente garantido na Libertadores, ele optou novamente por escalar um time reserva.

Vai fazer o mesmo que fez contra o Rentistas, mesmo ciente de que o Racing seja um adversário bem mais forte e perigoso.

Crespo tem consciência de que o São Paulo precisa desesperadamente levantar uma taça.

E vai fazer de tudo para buscá-la, mesmo que isso possa representar ficar em segundo lugar em seu grupo na Libertadores, o que pode aumentar as dificuldades na fase de mata-mata.

E até ser fatal.

É o preço que tem de pagar por causa de um campeonato que não vale quase nada.