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Valcke, fiel ao protocolo

Almir Leite

28 de agosto de 2012 | 20h29

Jerôme Valcke começou nesta terça-feira mais uma visita de inspeção às sedes da Copa do Mundo. Esteve em Manaus, foi à Arena da Amazônia, cujas obras ainda nem atingiram a metade, e, com o sorriso que o caracteriza, disse que está tudo em ordem.

Sobre as obras de mobilidade urbana, que ainda não foram movidas, nenhuma preocupação.

Hoje, Valcke vai a Cuiabá e aposta-se que dirá o mesmo sobre a Arena Pantanal e sobre o mais do que enrolado projeto do VLT.

Será o até então sisudo e mau-humorado secretário-geral da Fifa um homem mudado depois de tantos chutes no traseiro que desferiu?

Não creio, apenas Valcke achou melhor – quer dizer, o pessoal da Fifa lá em Zurique achou melhor – depois de arranjar tanta confusão, não tentar apagar fogo jogando gasolina. Pelo menos por enquanto.

Mesmo porque, coube ao secretário-executivo do Ministério do Esporte, Luis Fernandes, esclarecer, para aqueles que ainda não sabiam, o que realmente conta para a Fifa. “A preocupação da Fifa é sobre como tudo funcionará nos dias de jogos”, disse.

Por esse raciocínio, a Fifa tem, claro, de se preocupar com o andamento das obras de mobilidade.  Mas o que importa mesmo é como os torcedores estrangeiros chegarão ao Brasil. Por isso, a apreensão com os aeroportos.

 Sobre o transporte interno, se algo der errado, mete-se o pau no País (com razão, claro), pede-se desculpas às vítimas do transtorno. Depois, todos vão embora. Os gringos e a Fifa.   

Portanto, é bom o pessoal que cuida da Copa não acreditar muito nos sorrisos de Valcke. E trabalhar para recuperar os (enormes) atrasos em obras de infraestrutura.

 

ESTÁDIOS NÃO SÃO PROBLEMA

Não tenho a menor dúvida de que as arenas estarão prontas para a Copa. Até mesmo a Arena das Dunas, cujos ventos ainda não são suficientes para fazê-la decolar de maneira desejável.

A Arena Pernambuco, de fato, ainda é dúvida para a Copa das Confederações. Mas, para o Mundial, é certeza.

Nesta terça-feira, aliás, foram divulgados índice de conclusão de várias obras. A Arena Pernambuco chegou a 51,64% de trabalho executado (o desejável era quase 55%). A Fonte Nova chegou a 70% e o Mineirão, a 78%.

Arenas não serão problema. Os custos de algumas delas, sim.

CAPACITAÇÃO EM ITAQUERA

Uma das arenas que vão de vento em popa é o Itaquerão. Lá, já se começa a pensar mais seriamente no acabamento. Por isso, a Construtora Odebrecht resolveu dar curso de capacitação de trabalhadores para serviços como aplicação de reboco, assentamento de azulejos, porcelanatos e granitos em paredes e pisos.  Espera capacitar 150 dos atuais funcionários. Assim, não precisa promover troca de pessoal.

 

 

 

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