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Vem aí o Carioca. Ou o Falidão 2015

Almir Leite

28 de janeiro de 2015 | 16h05

O Rio não tem nenhum clube na Libertadores.

O melhorzinho no Brasileiro do ano passado, o Fluminense, perdeu seu mecenas, está doente financeiramente e certamente mais enfraquecido em relação a 2014.

O Vasco sofreu para voltar à elite do Brasileiro e, pelo elenco montado até agora, vai ter um time sofrível.

O rebaixado Botafogo sofre para se manter em pé, agora sob uma nova direção – gente que parece séria, mas que vai penar com os esqueletos herdados do passado.

O Flamengo teve juízo com suas finanças em 2014 – apesar de a situação ainda ser terrível -, e parece ter o melhor elenco. Pelo menos para consumo local.

Como os pequenos tecnicamente não contam (infelizmente), só pelo aspecto técnico já daria para perceber que 0 Carioca 2015 não será grande coisa.

Mas como tudo sempre pode piorar, eis que surge a briga entre Federação e a maioria dos clubes (capitaneados por Eurico Miranda, que nem bem voltou e já fez o futebol carioca retroceder alguns anos), contra Flamengo, Fluminense e o Maracanã.

Uma briga em que todos têm suas razões – e todas aceitáveis. Mas na qual a falta de bom senso prevalece.

Num país que defende a livre iniciativa, Flamengo e Fluminense têm (ou deveriam ter) o  direito de estabelecer os preços para seus jogos – embora o conselho arbitral do campeonato, de forma equivocada, determine unanimidade para aprovações e mudanças.

O Maracanã, hoje administrado pela iniciativa privada e com contrato com a dupla Fla-Flu, também tem de lutar por uma política de preços que tornem o  negócio viável.

E a Federação, ao dizer que não aceita interferências externas num futebol profissional, dá um show de autoritarismo.

Mas, por outro lado, a Federação, e os demais clubes, estão corretos em estabelecer preços baixos (que denominam de promocionais) para os jogos do campeonato.

Pelo nível que o campeonato terá, preços entre R$ 5 e R$ 50  por um ingresso estão bons demais – e todos sabemos que vai ter muito jogo que cobrar R$ 50 vai ser exagero, dado o nível técnico.

Programas de sócio-torcedor à parte,  cobrar preço baixo é uma forma de tentar atrair público para um campeonato em que 2014 registrou média de 2.828 testemunhas por partida.

Prevalecesse o bom senso, o Maracanã, mesmo com contrato com Flamengo e Fluminense, só seria aberto para clássicos. Os clubes faturariam e a concessionária também – sem que uma parte tivesse que explorar o bolso da outra.

Os demais jogos, com preços modestos e realistas dos ingressos, ocorreriam em estádios menores – ou até mesmo no Engenhão, agora que será liberado.

Isso poderia ajudar a todos, clubes grandes, pequenos, federação, administradores de estádios.

Mas continua prevalecendo a tese da briga, do confronto.

Ainda que isso signifique perda de dinheiro.

Tal cenário só irá mudar quando foi finalmente estabelecida uma lei de responsabilidade no esporte, que leve  até dirigente para a cadeia.

Até lá, teremos de nos contentar com o Falidão 2015, 2016, 2017… E não só no Rio.