A entrevista de Yelena Isinbayeva após o ouro
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A entrevista de Yelena Isinbayeva após o ouro

Amanda Romanelli

14 de agosto de 2013 | 06h36

 

Yelena Isinbayeva demorou pelo menos duas horas, até o fim de sua prova, para conceder uma entrevista coletiva. Abaixo, estão os trechos principais da conversa que durou 23 minutos. A russa destacou o papel fundamental de seu técnico, as dúvidas sobre a continuidade da carreira após a Olimpíada de Londres, falou novamente da busca pela maternidade e de como será a vida de uma mulher “comum”.

O ouro em casa
“No meu subconsciente, eu sabia que essa talvez possa ser minha última performance, então estou feliz com o resultado e com o ouro. Posso me aposentar e saber que eu fiz o que eu pude, com o coração limpo.”

A marca da vitória
“Antes da competição eu sabia que o ouro viria mais ou menos a essa altura, 4,89 m, 4,90 m, 4,95 m. Eu não vim para competição com a melhor marca do ano, não tive grandes vitórias, e as outras saltadores tinham resultados melhores. Mas eu me conheço, sabia que o público estaria comigo, e isso me ajudou muito. Eu venci porque minha família estava comigo, estava na arquibancada, assim como Trofimov (Yevgeniy Trofimov, seu técnico), que me ressuscitou. Eu quero agradecê-lo por isso.”

O apoio do público
“Foi a melhor torcida da história! Aqui é o meu estádio, com a minha torcida. Um Mundial em casa ajuda muito, aposto que se a Olimpíada do ano passado tivesse sido em Moscou, o resultado seria diferente. Eu sabia que esta noite todo mundo estava comigo, eu sentia a energia, a emoção.”

A atitude dentro da competição
“Minha atitude na competição mudou. Minhas rivais também mudaram. Antes eu pensava que ninguém poderia saltar melhor do que eu, eu vivia em uma bolha. Mas agora elas voam, e eu estava saltando pior que elas.”

A aposentadoria
“Eu não diria que estou me aposentando, estou tirando uma folga para ter um bebê. Eu tentari voltar para competir no Rio (em 2016) e se alguma coisa der errado, eu vou avisá-los oficialmente da minha decisão. Em quanto tempo vou voltar? Bom, são nove meses, vocês sabem, para ter o bebê. Mais uns nove meses para, sabe, (faz o gesto de amamentar). Então, no total, não vou competir pelo menos por um ano e oito meses.”

A tentativa do recorde
“As coisas se repetiram como havia sido em Pequim-08 e Atenas-04. A competição acabou, mas a torcida ficou no estádio, concentrada em mim. Foi um sentimento incrível.”

O ano continua?
“Tenho na programação participar da Liga Diamante em Estocolmo e Zurique, mas vou ver se estarei em condições para disputar essas provas.”

Como foi a conquista em relação às outras
“É dificil comparar. Em Pequim-08 e Atenas-04, eu venci como favorita, não foi tão difícil como agora. Antes eu não sabia como era perder, por isso que essa é a minha medalha mais querida. Depois de Londres, eu tive tantos problemas, lesões, não acreditava mais em mim. Às vezes ficava desesperada, no meu subconsciente pensava em desistir, porque o salto não funcionava. Trofimov prometeu que me daria novos títulos, que eu seria de novo a número 1. Eu ouvi tantas coisas, mas isso me inspirou. Estou feliz que eu e meu técnico tenhamos conseguido, que Yelena esteja de volta.”

A retomada após Londres
“Depois de Londres eu disse ao meu técnico que iria parar, que não tinha mais forças, que não conseguia mais treinar. Me preparei para voltar no inverno (em dezembro), mas não tinha mais como. E ele me perguntou: ‘Por quanto tempo você precisa parar?’. E eu pedi o inverno. Ele foi muito inteligente, nunca me forçou a nada, mas me guiou. Ele tentou me fazer não perder a força. Fazia musculação, uma corrida, começou a me dar vontade de treinar. Em março, falei para ele: ‘Vamos tentar?’. Foi como tudo começou, graças à estratégia dele. Depois da lesão em Xangai (em maio), fui obrigada a parar. Fui para a Alemanha, onde curei minha lesão. Me senti aliviada, porque poderia treinar e saltar de novo. Meus amigos, minha família e ele (Trofimov) acreditaram mais em mim do que eu mesmo. Estou feliz de ter tido tanto apoio, devo dizer obrigada a eles, porque agora sou a número 1 novamente.”

A “prefeitura” da Vila olímpica dos Jogos de Inverno de Sochi, em 2014
“É verdade, serei a prefeita. Até lá, espero estar andando como um pinguim (por causa da gravidez). Vou receber as delegações, cuidar deles, talvez dançar um pouco para todos (risos). Quero garantir que todos se alimentem bem. Enfim, vou ser a anfitriã.”

A vida fora do esporte
“Não acho que a minha vida fora do esporte será tão brilhante. Tenho 31 anos, mas não tenho experiência. Minha vida foi sempre treinar, competir, vencer. Tenho que aprender a ser uma mulher – na verdade, uma garota, prefiro essa palavra -, uma esposa. Como será viver uma vida simples? Eu não sei. Sempre estive ocupada. Não sei como será ficar no sofá, talvez fazendo bolos, cozinhando batatas… Agora que esse sonho está chegando… Ai meu Deus, eu não sei como vai ser!”

E o casamento?
“Meu namorado pede que eu não diga a ninguém. Na verdade, eu não sei a data, talvez logo, mas ninguém me pediu em casamento ainda! (risos) Eu estou sempre à frente do meu tempo, estou me antecipando, como sempre!”

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