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As histórias do Estádio Luzhniki

Amanda Romanelli

09 de agosto de 2013 | 11h22

O estádio que recebe a partir de sábado (para o Brasil, ainda de madrugada) o Mundial de Atletismo é o mesmo em que o ursinho Misha chorou, ao fim da Olimpíada de 1980. Também é o mesmo que recebeu 55 mil pessoas para a final do Mundial de Hóquei sobre o Gelo, em 1957, entre União Soviética e Suécia. Que viu a morte de 65 pessoas em 1982, durante um jogo entre Spartak Moscou e o alemão Haarlem, pela antiga Copa da Uefa. E que será a final da Copa do Mundo de 2018, sediada pela Rússia.

Não faltam, portanto, histórias ao belo e monumental estádio, inaugurado em 1956, construído em apenas 450 dias e originalmente chamado de Estádio Central Lênin – aliás, uma enorme estátua do ex-líder soviético continua à frente do portão central.

Muitas delas também se relacionam à disputa do atletismo nos Jogos de 1980, marcado pelo boicote dos EUA, seguido por 69 países. Sobram acusações sobre o descarado benefício dos árbitros aos atletas soviéticos.

No que diz respeito aos brasileiros, temos a polêmica disputa do salto triplo, em que João do Pulo foi medalha de bronze. Recordista mundial da prova havia cinco anos, João entrou como favorito para o ouro. Mas acabou sendo superado por dois soviéticos, o campeão Jaak Uudmae, e Victor Saneyev, até então tricampeão olímpico da prova.

Afirma-se que o brasileiro teve vários saltos legais (que poderiam ter lhe dado o ouro) invalidados, tudo para que Saneyev subisse  ao pódio e conquistasse seu quarto título olímpico. Mas o triplista, que estava lesionado, não conseguiu marca tão boa quanto a do companheiro de delegação. Sobrou, então, para João do Pulo.

Esses dias, já aqui em Moscou, ouvi uma história curiosa sobre como a arquitetura do estádio teria beneficiado os atletas das provas de lançamento em 1980. O Luzhniki tem quatro grandes portões de acesso. Diz a lenda que, quando atletas de outros países lançavam (disco ou dardo), as portas estavam fechadas. Quando os soviéticos iriam para suas tentativas, abriam-se as portas e o vento que entrava interferia nos resultados.

Quem me contou essa história também disse que, por causa da cobertura, quase não há vento dentro do estádio – devido ao detalhe, a história do abre-e-fecha das portas mudavam o rumo das coisas. Mas aí, no material de imprensa do Mundial, li que a bela cobertura, tal como uma cúpula no estádio, foi construída entre 1995 e 1997. Portanto, não dava para fazer grande diferença em 1980, não é?

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