Doping de Gatlin vem à tona na indicação dos melhores do ano
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Doping de Gatlin vem à tona na indicação dos melhores do ano

Amanda Romanelli

07 de outubro de 2014 | 16h42

A Federação Internacional de Atletismo (IAAF) divulgou na segunda-feira o nome dos 20 atletas (dez homens e dez mulheres) indicados ao prêmio de melhor do ano do atletismo. No masculino, a lista tem o velocista americano Justin Gatlin, que terminou a temporada como líder do ranking nos 100 metros (9s77) e dos 200 metros (19s68), além de ser dono de sete dos dez melhores tempos da distância mais curta em 2014.

Mas o passado de Gatlin o condena.

Também indicado como um dos melhores da temporada, o alemão Robert Harting, tricampeão mundial e campeão olímpico do lançamento do disco, pediu para ser retirado da lista. “É incrível que tenham me indicado, mas não quero estar em uma lista com alguém que foi pego no doping”, explicou o lançador em entrevista à agência DPA. “Se a IAAF não sabe distinguir entre os atletas que são e os que não honestos, não posso fazer nada. Pedi oficialmente que me retirem da lista.”

Gatlin cumpriu suspensão por quatro anos, entre 2006 e 2010. Flagrado por uso de testosterona, era então campeão olímpico, mundial e havia igualado, naquela temporada, o recorde mundial dos 100 metros (9s77) que era de Asafa Powell. A suspensão inicial foi de oito anos, porque Gatlin era reincidente – em 2001, tinha um positivo por anfetaminas quando competia pela Universidade do Tennessee, mas o positivo foi relacionado à um medicamento que tomava para tratar o transtorno de déficit de atenção. Em 2008, a pena foi reduzida para quatro anos. Desde seu retorno, em 2010, participou da Olimpíada de Londres (bronze nos 100 m) e do Mundial de Moscou (prata nos 100 m).

A IAAF não se pronunciou oficialmente sobre o caso, mas seu vice-presidente, o britânico Sebastian Coe, não fugiu à polêmica e deixou claro que não concorda com a presença do americano na lista. “Eu, pessoalmente, tenho muitos problemas com isso”, disse o ex-meio-fundista, sobre a indicação de Gatlin ao prêmio de melhor do ano, em evento realizado nesta terça-feira em Londres.

Os resultados de Gatlin nesta temporada causaram burburinho. Afinal, o velocista completou 32 anos em fevereiro. Um estudo da Universidade de Oslo (Noruega) indica que os atletas que usaram substâncias para a melhora de performance em algum momento da vida podem se beneficiar de seus efeitos por anos. Em entrevista à BBC – que, ao revelar o resultado da pesquisa, fez uma relação direta com a performance de Gatlin nesta temporada -, o fisiologista Kristian Gundersen, coordenador do estudo, diz: “Nossa pesquisa indica que a suspensão por dois anos é muito curta. Por quatro anos, também.”

Também à BBC, o agente de Gatlin, Renaldo Nehemiah, defendeu seu cliente. “Ele descansou por quatro anos (durante a suspensão). E ele tem o talento. Eu sempre disse ao Justin: ‘Veja, algumas pessoas nunca vão te perdoar. O perdão não faz parte do DNA delas. Talvez seja parte do seu legado, por causa das decisões que você tomou anos atrás’.”

Gatlin não se pronunciou sobre toda essa polêmica. Mas, em seu Instagram, deu indiretas ao seus críticos, publicando três imagens. Uma delas, abaixo, diz: “Saúde aos meus críticos. Sejam pacientes, muito mais está a caminho”.

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