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Isinbayeva defende lei antigay – Putin, seu amigo, agradece

Amanda Romanelli

15 de agosto de 2013 | 17h02

Yelena Isinbayeva emocionou fãs de todo o mundo com o enredo de superação da medalha de ouro que conquistou no Mundial de Moscou, na terça-feira. Dois dias após a conquista, a russa subiu ao pódio para finalmente receber o seu prêmio. Antes do início da premiação, mostrou mais uma vez todo o seu carisma, distribuindo beijos e tchauzinhos para o público. Uma vez premiada e ouvindo o hino de seu país, foi às lágrimas, emocionando a todos mais uma vez. Foi uma bela cerimônia.

Antes disso tudo, porém, a campeã mundial defendeu de maneira veemente a lei antigay aprovada pelo governo russo em junho. Para muitos, a imagem de ídolo da saltadora está manchada. Fãs decepcionados se manifestam nas redes sociais.

Mas não haveria de ser diferente, e por um simples motivo: Isinbayeva é uma grande apoiadora de Vladimir Putin, presidente da Rússia pela terceira vez e premiê do país em duas oportunidades.

A relação dos dois é muito próxima. Correu o mundo uma foto em que a saltadora ajeitava o colarinho de Putin durante a entrega do Prêmio Laureus (tradicionalmente descrito como o ‘Oscar do Esporte’) no início de 2008, em São Petesburgo. No auge de sua fama, prestes a se tornar bicampeã olímpica – e, àquele tempo, realmente imbatível – foi flagrada em momento de extrema intimidade com o presidente (que encerrava seu segundo mandato).

Outro ponto importante: a lei que proíbe a manifestação favorável aos direitos dos homossexuais (ou, pela interpretação russa, “propaganda”) tomou ainda maior proporção quando o ministro do Esporte, Vitali Mutko, afirmou que as punições em caso de transgressão das regras seriam normalmente aplicadas na Olimpíada de Inverno de Sochi, no início do ano que vem.

E, vejam só, Yelena Isinbayeva será a “prefeita” da Vila de Atletas. Conforme disse em sua entrevista após o título, ela será a anfitriã e espera dar assistência a todos que forem participar dos Jogos. E Putin foi um dos principais artífices da campanha que trouxe, para a Rússia, uma nova edição olímpica, além de outros grandes eventos esportivos, como a Copa do Mundo de 2018.

Portanto, não há como se esperar uma posição crítica da campeã mundial quando o assunto for o governo russo.

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