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Jennifer Suhr e Yarisley Silva mostraram talento e grandeza

Amanda Romanelli

13 de agosto de 2013 | 18h35

Quando Yelena Isinbayeva acertou o salto de 4,89 metros em sua primeira tentativa e levantou do colchão vibrando, não havia como negar: ela já era campeã do mundo. A medalha de ouro já estava pendurada em seu pescoço, era fato consumado. Muito embora duas grandes saltadoras, a americana Jennifer Suhr e a cubana Yarisley Silva, estivessem ainda na prova, esperando a hora de saltar.

E não eram quaisquer saltadoras. Jennifer é a campeã olímpica de Londres-2012, bateu o recorde mundial indoor de Yelena Isinbayeva em março, ao se tornar a segunda mulher do mundo a superar a marca dos 5 metros (fez 5,02 m). Yarisley foi prata nos Jogos Olímpicos do ano passado e é a dona da melhor marca do ano, 4,90 m.

Mas foram enormes. Mostraram personalidade. Buscaram alcançar a russa – o que, nesta noite memorável de terça-feira, no Estádio Luzhniki, voltou a ser impossível.

Jennifer encarou a pressão de ter que saltar logo após Isinbayeva, em um estádio cheio completamente em festa. Errou. Yarisley foi além: não só alinhou para saltar como pediu apoio à torcida, puxando as palmas. Foi prontamente atendida em todas as vezes que requisitou ajuda, um gesto de torcedores que mostraram não só amar a competidora de seu país, mas também a disputa esportiva.

Como se sabe, Jennifer e Yarisley não foram bem sucedidas. Mas estavam incrivelmente felizes após a final. A cubana, em especial, não conseguia segurar as lágrimas a cada resposta que dava na coletiva de imprensa. Sim, Yarisley chorou diante de jornalistas do mundo inteiro. Mas era de pura satisfação.

Jennifer disse: “Estou orgulhosa de ter participado de uma das melhores competições de salto com vara da história. Estou muito, muito feliz com a prata. Agora, eu paro para olhar o meu ano e penso que fiz muita coisa! E estou muito cansada, é verdade. Mas conquistei o ouro olímpico, batei o recorde mundial indoor e agora ganhei a prata no Mundial. Que ano!”

Yarisley falou: “Eu sabia que estar nessa competição seria muito difícil, nunca é fácil estar entre as grandes. Foi muito emocionante, foi um torneio grandioso. Estou feliz por ter essa medalha de bronze, porque para mim valeu como ouro (e surgiriam as lágrimas).  Por um momento achei que sairia da final. Mas me impus, fui agressiva, venci a mim mesma. Estou emocionada de estar aqui, em uma competição tão grande.”

Na ausência de Yelena Isinbayeva – definitiva ou provisória -, o salto com vara está muito bem servido com as duas estrelas. Jennifer Suhr afirmou que a prova ganhou outro patamar após as conquistas da russa, e é verdade. E a americana e a cubana têm o caminho livre para aproveitá-lo.

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