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Kenenisa Bekele fará em Paris sua estreia na maratona

Amanda Romanelli

09 de janeiro de 2014 | 19h51

Um dos maiores fundistas da história deixa as pistas para se aventurar nas ruas. O etíope Kenenisa Bekele, recordista mundial dos 5 mil e dos 10 mil metros, dono de três ouros olímpicos e cinco mundiais, já tem data para estrear na maratona: 6 de abril, em Paris.

O agente de Bekele, Jos Hermens, fez questão de dizer em uma entrevista ao francês L’Équipe que preferia ver seu atleta debutando na Maratona de Londres, que será uma semana depois. Mas os organizadores da prova inglesa teriam oferecido um cachê muito baixo ao esperado pelo recordista – especula-se que ele receberá 150 mil euros (R$ 368 mil) na prova francesa. A questão, porém, é maior do que essa. Os 42.195 metros de Londres serão os primeiros da carreira de Mo Farah, o astro britânico do fundo, em estreia aguardadíssima na maratona.

Para muitos, a transição de Mo Farah é precipitada. Tempos atrás, o ex-recordista mundial dos 10 mil metros e da maratona, Haile Gebrselassie, aconselhou o britânico a adiar um pouco a sua decisão. Para o etíope, Farah tem condições de tomar para si os recordes mundiais que são de Bekele e a ida para a maratona é precoce.

Farah é treinado pelo americano Alberto Salazar, um cara que entende de maratonas como poucos. Dada a sua experiência, é pouco provável que o corredor não esteja fazendo uma transição segura. Farah é muito carismático, é o atual campeão mundial e olímpico dos 5 mil e 10 mil metros. A imprensa britânica publicou que a Nike, sua patrocinadora, tem auxiliado nesse projeto, desenvolvendo um tênis específico para a elegante passada do corredor.

Se Mo Farah está nos holofotes, Kenenisa Bekele tem enfrentado dificuldades nos últimos anos. O etíope teve sua última atuação de gala em grandes eventos ao conquistar o ouro nos 5 mil e 10 mil metros do Mundial de Berlim, em 2009. Depois, foi acometido por uma série de lesões. Ele ainda conseguiu ir para a Olimpíada de Londres, em 2012, para correr a prova dos 10 mil metros. Enquanto Farah era campeão para delírio da torcida britânica, o etíope ficou em 4º lugar, atrás de seu irmão mais novo, Tariku, que estreava nos Jogos (Nota curiosa: Tariku havia ganhado a São Silvestre no ano anterior).

Os problemas físicos, ao que tudo indica, estão no passado. E Bekele, que correrá uma prova de cross country na Escócia, no fim de semana, diz que busca um bom resultado em Paris. A vitória, claro, não é descartada. “Se eu vou correr uma maratona, é óbvio que é para vencer”, disse ao site da IAAF. “Eu quero conquistar um bom resultado. Não correr para perder ou para ter uma marca ruim. Todo mundo, não só eu, quer competir para vencer. Treinei duro para buscar um bom tempo, mas não posso dizer se vou correr em 2h03, 2h05 ou 2h06. A única coisa é que estou me preparando muito.”

Jos Hermens não descarta a possibilidade de Bekele quebrar o recorde do percurso parisiense, 2h05min12, estabelecida por Stanley Biwott em 2012.  “Será um teste crucial para a carreira dele. Se tudo der certo,  significa que ele brigará por um lugar na Olimpíada do Rio, em 2016.”

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