Kim Collins: com quase 39 anos, e cada vez mais rápido nas pistas
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Kim Collins: com quase 39 anos, e cada vez mais rápido nas pistas

Amanda Romanelli

18 de fevereiro de 2015 | 15h01

Não há homem mais rápido em 2015 do que Kim Collins. E nada mais impressionante do que dizer isso sobre um atleta que completará 39 anos no dia 5 de abril. O velocista, mais uma vez, escreve seu nome na história.

Baixar seus tempos tem sido algo constante para Collins nos últimos dois anos, algo incomum para sua idade. Desde o início da atual temporada na pista coberta, o velocista já melhorou sua marca pessoal nos 60 metros em duas oportunidades. A última foi nesta terça-feira, na disputa da Pedro’s Cup, em Lodz (Polônia), quando correu a distância em 6s47. Ele começou o ano com o recorde pessoal de 6s49 (de 2014), e correu 6s48 duas vezes – dia 1º de fevereiro, em Moscou, e 3 de fevereiro, em Torun (Polônia).

Vale lembrar: ele nunca cumpriu suspensão por doping.

Collins nasceu no dia 5 de abril de 1976 em São Cristóvão e Neves, um arquipélago de apenas 261 km² e pouco menos de 60 mil habitantes localizado no Caribe, próximo de Porto Rico. Mas sua base de treinos é na Jamaica.

O são-cristovense viveu o ápice de sua carreira há mais de uma década. No Mundial de Paris, em 2003, ele se tornou campeão dos 100 metros, mas com um tempo nada brilhante (10s07). Era um período difícil para o atletismo e para as provas de velocidade, no auge do escândalo de doping do laboratório Balco em que o então recordista mundial, Tim Montgomery, esteva envolvido.

Collins chegou a se aposentar em 2009, aos 33 anos. Àquela altura, já tinha conquistado também o bronze nos 100 metros do Mundial de Helsinque, em 2005, e duas pratas em Mundiais Indoor (Birmingham-2003 e Valencia-2008). Mas não conseguiu ficar longe das pistas.

No Mundial de Daegu, em 2011, Collins tinha 35 anos e 144 dias quando se tornou o homem mais velho a se classificar para uma final de 100 metros. Na prova decisiva, que ficou marcada pela desclassificação de Usain Bolt – o jamaicano queimou a largada -, Collins voltou ao pódio novamente após sete anos, ao conquistar a medalha de bronze (10s09). De maneira surpreendente, seu país também ficou com o bronze no 4 x 100 metros.

Em boa fase, o velocista foi para a Olimpíada de Londres, no ano seguinte, como o porta-bandeira da delegação de São Cristóvão e Neves. Mas nem sequer disputou os Jogos. Antes do início das competições do atletismo, Collins deixou a Vila Olímpica e passou uma noite com a mulher (e também sua técnica) Paula. Foi o suficiente para a delegação do país anular sua credencial e expulsá-lo da competição.

Collins prometeu que nunca mais disputaria uma competição pelo país. E assim foi, por exemplo, no Mundial de Moscou, em 2013. Azar de São Cristóvão e Neves.

Pouco antes da competição, Collins voltou a correr abaixo dos 10 segundos. Com 37 anos, conseguiu melhorar em um centésimo sua marca pessoal nos 100 metros, 9s98, que havia sido estabelecida em 2002. Em Lausanne, percorreu a distância em 9s97. E não foi só. Em 2014, na competição realizada em Londres para celebrar a realização da Olimpíada, teve o desempenho que lhe foi negado dois anos antes: 9s96. (Aqui vale lembrar: o Brasil nunca teve um atleta sub-10).

Não é de se estranhar, portanto, que o nome de Kim Collins apareça no topo do ranking da IAAF nos 60 metros, com as três melhores marcas do ano. Incansável, ele compete novamente no sábado, em Birmingham.

E qual é o segredo? Segundo o próprio, em entrevista à IAAF: “Eu tento preservar meu corpo. Acho que sempre podemos prevenir as lesões. Se eu corro e sinto algo, tento relaxar. E priorizo a intensidade, não o volume de treinos.”

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