Marílson corre a Meia de São Paulo e avalia se tentará Rio-2016
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Marílson corre a Meia de São Paulo e avalia se tentará Rio-2016

Amanda Romanelli

22 de fevereiro de 2014 | 20h59

Marílson Gomes dos Santos, 36 anos, larga neste domingo para a Meia-Maratona de São Paulo, às 7h15. O fundista utilizará a prova de 21 km como parte de sua preparação para a Maratona de Londres, no dia 13 de abril, que terá um dos fields mais impressionantes de todos os tempos – além da estreia de Mo Farah na distância, estarão presentes o recordista mundial, o campeão olímpico e mundial, o atual vencedor da prova, entre outros.

Para Marílson, as próximas provas farão parte de uma importante avaliação pessoal. Ao contrário do que havia dito em 2012, a despedida dos Jogos Olímpicos pode não ter sido definitiva – em Londres, ao ficar em quinto lugar, disse que aquela era sua última Olimpíada. “Vai ser uma avaliação ano a ano. Se eu tiver uma queda muito brusca de rendimento, aí vou decidir por encerrar a carreira.” O corredor fez sua última maratona em Berlim, setembro passado, quando correu em 2h09min24. Seu retorno às provas foi na Corrida de Reis, em São Caetano do Sul, em 9 de fevereiro.

O técnico Adauto Domingos diz que Marílson fará preparação em altitude na cidade paulista de Campos de Jordão e deve fazer uma outra prova, de 10 ou 15 km, até abril. Provavelmente, Marílson não disputará outra maratona nesta temporada. Seu objetivo neste ano é já conseguir marca suficiente para o índice do Pan de Toronto e do Mundial de Pequim, ambos em 2015.

A seguir, a entrevista:

Como está a sua preparação para a Maratona de Londres?
A gente está fazendo a preparação como sempre fez, mas com uma diferença: estou me sentindo melhor do que no ano passado. Eu estava um pouco cansado, tinha comentado com o Adauto que, literalmente, a minha vida estava muito corrida e que eu não estava conseguindo me preparar direito para as provas. Devido a isso, tive até uma queda de rendimento.

Por isso que, depois da Maratona de Berlim, você ficou um tempo sem competir?
Exatamente. Agora estou recuperando bem, fazendo bons treinos, e a gente está com o objetivo de já ir fazer o índice na maratona para o Pan e o Mundial. Vou tentar isso e ficar bem ranqueado, porque é importante para mim ficar entre os melhores maratonistas do mundo. Em Londres vou correr por marca mesmo, porque vai ser uma prova muito dura, uma das mais fortes que eu já corri, e acho que uma das mais fortes da história. Vai ser a maratona que todo mundo quer ver. Tenho a honra de ter sido convidado, porque não é fácil. Vai ser difícil chegar bem colocado, fazer tempo, vai ser uma coisa de louco. Mas eu tenho que me centrar na minha preparação, e é isso que eu estou fazendo. Não vou frisar um tempo, mas quero algo melhor que o ano passado (2h09).  Fazer 2h08, 2h07 seria o ideal para mim.

No ano passado você realizou o sonho de correr em Berlim e, há algum tempo, quer bater o recorde sul-americano do Ronaldo da Costa (2h06min05, de 1998). Você acha que Londres pode propiciar isso?
Falta um tempinho ainda para a maratona e, portanto, chegar ao ápice. Estou me sentindo bem, mas mesmo bem, a maratona é aquele negócio, você conta com alguns fatores que não dependem só de você. E, para bater recorde, você necessita desses fatores te ajudando, como temperatura, umidade do ar, o desenrolar da própria prova, se vai ter grupo para você fazer sua passagem, porque correr uma maratona sozinho para quebra de recorde é difícil. Até mesmo porque, pelo o que a gente está vendo, esses atletas vão passar para quebrar recorde mundial.

Com o Haile Gebrselassie de coelho…
É, vai ser uma prova muito mais rápida do que para a quebra de recorde sul-americano, mas tudo é possível. Mas eu não estou me preocupando muito com isso, não. Eu quero fazer minha prova, me sentir bem, terminar bem e ficar bem ranqueado.

O Adauto afirmou que vocês estão fazendo uma avaliação ano a ano pensando no Rio. Em Londres, você tinha dito que aquela era a sua última Olimpíada, mas depois vocês conversaram e deixaram isso aberto.
A gente vai treinando, ano a ano, e vendo o que vai acontecer. Se eu tiver uma queda muito brusca de rendimento, aí sim vou decidir por encerrar a carreira. Mas, por enquanto, estou me sentindo bem, e estou até animado para poder chegar no Rio. O intuito é esse, é poder chegar. Mas é o que a gente comenta, eu tenho 36 anos, e a partir dessa idade é muito mais difícil treinar, é muito mais difícil recuperar, você está mais propício a lesões – por enquanto, nunca tive uma lesão séria, e se eu conseguir manter isso, treinando em alto rendimento, me sentindo bem física e psicologicamente, com essa vontade, o Rio vai ser a minha despedida.

O ano que vem vai ser importante para essa avaliação, então.
Exatamente, o ano que vem é o ano-chave. Se até o ano que vem estiver me sentindo bem, vou até 2016.

A melhor marca de Marílson Gomes dos Santos na maratona é 2h06min34, tempo conquistado na Maratona de Londres de 2011

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