O arco-íris saiu das unhas de Emma Green, por livre e espontânea pressão
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O arco-íris saiu das unhas de Emma Green, por livre e espontânea pressão

Amanda Romanelli

17 de agosto de 2013 | 12h36

O penúltimo dia de competições do Mundial de Moscou tem como um de suas atrações a final do salto em altura feminino, prova que mobiliza a atenção dos russos tanto quanto o salto com vara. O motivo é o mesmo: uma grande atleta do país. Anna Chicherova não é recordista mundial como Yelena Isinbayeva, mas é a atual campeã olímpica e mundial da prova. Enfim, uma estrela.

O salto em altura também é a prova da sueca Emma Green Tregaro, bronze no Mundial de Helsinque-2005, e tão linda quanto Isinbayeva. O encontro das duas, porém, não se deu pelo esporte ou pela beleza. Mas por posições políticas totalmente opostas. A russa, como já se sabe, defendeu a lei antigay vigente em seu país desde junho. E criticou a colega da Suécia por ter pintado as unhas com as cores do arco-íris, um protesto sutil, mas contundente, em defesa dos homossexuais.

Tregaro, uma atleta mediana, ganhou aplausos. Isinbayeva, uma competidora fabulosa, ouviu críticas como nunca, a ponto de ter se retratado por parte de suas declarações.

Mas a censura, claro, recaiu sobre Tregaro.

A sueca se apresentou para a final da prova, neste sábado, com as unhas pintadas de vermelho – cor que já foi bastante apreciada nas terras moscovitas, diga-se. Por livre e espontânea pressão, Tregaro não continuou com o colorido de quinta-feira. A Federação Internacional de Atletismo (IAAF) alertou os delegados da equipe sueca que a atleta havia infringido o código de conduta da entidade.

“Fomos informalmente informados pela IAAF de que houve uma infração”, explicou Anders Albertsson, secretário-geral da Federação Sueca. “O código de conduta diz claramente que não são permitidas manifestações políticas ou comerciais durante a competição.”

Independentemente de seus esmaltes, Tregaro e Chicherova escreveram a mesma história na final. Ambas foram eliminadas na terceira tentativa com o sarrafo a 2,00 m. A sueca distribuiu tchauzinhos para a torcida (que a apoiou apesar da polêmica). Chicherova, assim que viu a chance de seu bicampeonato ruir, cobriu o rosto com as mãos. Ao mundo, mostrou as unhas pintadas com as cores da bandeira de seu país, sem qualquer objeção.

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