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O dia em que a história do atletismo mudou

Amanda Romanelli

26 de setembro de 2013 | 10h00

Em 26 de setembro de 1988, às 21 horas de Brasília, 10 horas em Seul, a história do atletismo – e também a dos Jogos Olímpicos – mudou. O canadense Ben Johnson, que havia conquistado a medalha de ouro e o recorde mundial na final dos 100 metros da Olimpíada disputada na Coreia do Sul apenas dois dias antes, era pego no doping.

“Na amostra de urina de Ben Johnson foram encontrados metabólitos da substância proibida chamada estanozolol. É um esteroide anabolizante”, dizia Diane Clement, chefe da equipe do Canadá, em uma coletiva de imprensa.

Depois de 25 anos, é difícil mensurar o impacto da revelação do doping de Ben Johnson. Eu, que tinha acabado de completar seis anos quando o caso aconteceu, não tinha a dimensão do escândalo ocorrido em Seul. Afinal, o uso de doping não só passou a ser admitido como um grave problema do esporte nas últimas duas décadas, bem como os inúmeros casos positivos que foram punidos desde então.

Para tentar compreender o que aconteceu naqueles três dias de Seul, conversei com o médico Eduardo De Rose, especialista em doping. Também liguei para Robson Caetano, que foi o sexto colocado naquela final (e acabou herdando a 5ª posição).

Mais do que as conversas que tive, e as reportagens que escrevi, fui atrás de um livro e de um documentário que descrevem o que ocorreu em Seul há quase três décadas (e agradeço a Silvia Herrera pelas sugestões).

The Dirtiest Race in History (A corrida mais suja da história) foi lançado por Richard Moore neste ano pela editora Bloomsbury. Não há edição em português, tampouco consegui encontrar o livro no Brasil. Recorri, portanto, à AppStore para comprá-lo. Como isso foi ontem, admito, ainda não terminei de ler.

Lançado em 2012, The Race that Shocked the World (A corrida que chocou o mundo) é uma produção do diretor Daniel Gordon e foi exibida pela BBC. O vídeo, de quase uma hora, traz um painel sobre o que envolveu aquela decisão. E, de maneira inédita, entrevistou os oito finalistas da prova.

Destaco algumas questões interessantes depois de assisti-lo:

– Diz o narrado que Ben Johnson foi o bode expiatório, em um momento que o uso de esteroides era endêmico.

– ” De repente, você está correndo contra uma barreira química. Você usa drogas e tenta vencer, ou se contenta em perder para sempre, mas ficando longe delas?”, questionou Charles Francis, técnico de Ben Johnson.

– “Demorei três semanas para dizer sim (à proposta para o início do programa de doping). Por que deveria treinar duro, limpo, enquanto outros caras estão dopados?”, justificou Ben Johnson.

– “Ben era um daqueles caras com quem a gente não se preocupava”, garantiu Carl Lewis, que herdou o ouro.

– “O que é mais importante: ganhar uma medalha de ouro ou ter o recorde mundial?”, perguntou uma repórter a Johnson, que respondeu: “A medalha, que é algo que ninguém tira de você.”

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