Quando centésimos de segundo não são suficientes
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Quando centésimos de segundo não são suficientes

Amanda Romanelli

13 de agosto de 2013 | 07h06

Em Daegu-11, Amantle Montsho conquistou a primeira medalha de ouro da história de seu país, Botsuana, em um Mundial – de qualquer esporte ­- ao vencer a prova dos 400 metros.

E ela era favorita para repetir a dose em Moscou. Tinha algumas das melhores marcas do ano, incluindo a mais rápida delas, 49s33, conquistada na etapa de Mônaco da Liga Diamante. Sem a americana Sanya Richards-Ross, campeã olímpica, na disputa, a africana teria uma potencial rival: Christine Ohuruogu, da Grã-Bretanha.

Quando as oito atletas saíram para a final, Amantle mostrou a determinação de campeã. Nos últimos 50 metros, liderava com alguma folga, até que começou a reação de Christine. Um fim de prova tão impressionante que, ao cruzarem à linha de chegada, não havia como saber quem havia vencido. Para mim, foi a prova mais emocionante, até agora, no Estádio Luzhniki.

Amantle permaneceu na pista sem saber direito o que tinha ocorrido. Imóvel, olhava o placar. Christine, ansiosa, andava de um lado para o outro, até que foi em direção da adversária e trocaram um abraço meio constrangido. A dúvida persistiu até que o nome de Christine Ohuruogu apareceu em primeiro lugar no telão: 49s41, recorde britânico.

E Amantle? Da posição que eu tinha no estádio, de frente para a reta, achava que ela tinha vencido. Errei, ela tinha perdido. Mas por quanto? Foi quando apareceu o nome dela no placar, com o tempo de… 49s41!

Tempos rigorosamente iguais, como saber quais das duas foi a mais rápida? Os centésimos de segundo não foram suficientes para responder essa pergunta.

Segundo a cronometragem oficial, foram incríveis QUATRO MILÉSIMOS que tiraram o bicampeonato de Amantle. Christine venceu com 49s404, e a segunda colocada correu em 49s408. É difícil de ver a diferença até no photo finish, o tira-teima da linha de chegada.

A seguir, veja o que as atletas falaram sobre a final memorável.

Christine Ohuruogu: “Eu só quero agradecer a Deus por tudo. É como um sonho, é incrível. Eu não consigo acreditar. Depois da prova, eu não queria comemorar muito até ter certeza de que havia vencido, de que meu nome estaria em primeiro. Foi muito, muito estranho. Mas agora estou muito feliz.”

Amantle Montsho: “Estou feliz e triste ao mesmo tempo. Sei que no meu país esperavam um ouro, então isso é desapontador. Mas eu ainda sou uma medalhista.Não vi Christine me alcançado. Acho que, se tivesse, projetaria meu peito, realmente teria feito isso. Ela sabe como correr e como planejar uma prova, ela é muito forte no fim. Claro, eu queria defender meu título de Daegu, mas estou muito orgulhosa da prata que ganhei.”

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