A dor de Cristiano e a alegria de Portugal

Antero Greco

10 de julho de 2016 | 19h08

Exatamente 50 anos atrás, o Brasil entrou em campo para enfrentar Portugal, pela Copa do Mundo, em Liverpool. Os lusitanos promoveram uma caçada a Pelé, que deixou o campo machucado, apoiado no massagista Mário Américo, em uma das cenas inesquecíveis do futebol.

Em Saint-Denis, neste domingo, algum velho torcedor português há de ter se lembrado da velha imagem. Só que os franceses precisaram de um golpe apenas para tirar Cristiano Ronaldo de campo. Uma entrada dura de Payet, que dobrou o joelho direito do craque, logo aos 16 minutos.

Cristiano chorou, tentou voltar, teve a perna enfaixada, chorou de novo, mas acabou saindo da partida 3 minutos e 58 segundos depois. Não, sem antes, passar a faixa de capitão ao parceiro Nani.

Desta vez, o time agressor não foi beneficiado: ao fim da prorrogação, Portugal calou a torcida francesa, venceu por 1 a 0 e conquistou o título europeu – proeza inédita.

Se o herói do título não foi Cristiano Ronaldo, houve um responsável pela taça: o goleiro Rui Patrício que, durante, os 90 minutos normais da partida fez pelo menos sete boas defesas. Sim, a França foi melhor, mas seus adversários sempre podiam surpreender nos contra-ataques.

Na prorrogação, a honra de ser o personagem da conquista coube ao atacante Éder: ele disputou cada bola com incrível vontade, enquanto que na defesa o zagueiro Pepe devolvia tudo. E, quando ele não conseguia o objetivo, aparecia Rui Patrício para neutralizar o ataque francês.

Houve um momento em que parecia que a decisão iria para os pênaltis. Mas, aos 4 minutos da segunda etapa do tempo extra, o atacante Éder dominou a bola fora da área e bateu rasteiro, sem chances para o goleiro Lloris: 1 a 0 para Portugal.

Ao contrário de Pelé, que saiu de campo em Liverpool envolvido em tristeza e numa coberta, Cristiano Ronaldo voltou ao palco, colocou a camisa 7, enrolou-se na bandeira portuguesa e levantou a taça.

O joelho? Com certeza não doía mais.

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