A ambição de Doriva

Antero Greco

07 de outubro de 2015 | 18h01

Doriva é um dos nomes novos no pequeno mundo dos treinadores de futebol no Brasil. Está, ainda, no estágio dos que procuram firmar-se como sinônimo de eficiência e entrar no restrito círculo dos tops da categoria. Ganhou destaque com o título paulista de 2014 com o Ituano e vive uma temporada de 2015 bem agitada.

Começou o ano no Vasco, proposta que o fez desencanar do Botafogo de Ribeirão Preto, com o qual estava apalavrado. Não resistiu à má fase, no Rio, e foi apeado por Eurico Miranda.

Em seguida, achou porto seguro na Ponte, onde se deu muito bem e fez excelente trabalho de recuperação, seu e do time. Com isso, chamou a atenção do São Paulo, que o convocou para o lugar de Juan Carlos Osorio.

Lá vai Doriva mudar de barco outra vez, em tão pouco tempo. Não está errado nem o chamem de mercenário por trocar Campinas pelo Morumbi. Assim como técnicos são demitidos sem aviso prévio, eles têm o direito de aceitar ofertas que considerem tentadoras. Vale lembrar que, ainda no Vasco, recusou convite para ir para o Grêmio.

Pega um São Paulo que estava em processo de mudança com a inquietação do colombiano e na briga por coisas boas. O time, com oscilações, está bem no Brasileiro e é semifinalista na Copa do Brasil. Alguns jogadores melhoraram desempenho com Osorio. Se manterão a toada com Doriva, é outra história. Aliás, se Doriva dará certo, também só o tempo dirá.

A questão é: quanto tempo o São Paulo dará para ele de crédito? Um clube politicamente tão agitado e instável terá paciência com eventuais turbulências da equipe com Doriva?

É um risco que Doriva aceitou correr  movido por ambição justa. Risco que o  São Paulo também vai encarar.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.