A angústia de ver o São Paulo jogar

Antero Greco

14 de julho de 2013 | 19h43

Imagino a raiva que o torcedor do São Paulo esteja passando neste momento. E sou solidário com ele. Dá aflição ver uma equipe – que tem vários jogadores bons – atuar com tanta oscilação e apanhar mais do que boi ladrão. Os erros, os desencontros, os buracos em todos os setores levaram aos 3 a 2 diante do ajustado Vitória, na tarde deste domingo, em Salvador.

O São Paulo trocou de técnico, como tem sido praxe nos últimos anos, mas manteve o estilo desencontrado que lhe valeram cinco derrotas seguidas. Deu certo trabalho ao Vitória no primeiro tempo, que terminou com 2 a 2. Depois, levou um baile, teve jogador expulso (Wellington) e deve agradecer pelo resultado. Ficou barato. Só a falta de pontaria de Renato Cajá ajudou a diminuir o vexame: ele desperdiçou chance embaixo do gol e chutou pra fora um pênalti.

Paulo Autuori manteve, em linhas gerais, a formação de Ney Franco e do interino Milton Cruz, fora algumas baixas por contusão e suspensão. E, por coerência, as falhas se repetiram, sobretudo no espaço enorme entre defesa e ataque. O meio-campo inexiste.

O São Paulo deu a impressão de que iniciaria arrancada para reação ao abrir vantagem com Aloisio nos primeiros minutos. Ilusão. O Vitória foi pra cima, empatou com Dinei e virou com Maxi Biancucci. Uma falta cobrada com a maestria habitual por Rogério Ceni garantiu o empate da primeira parte.

O Vitória foi superior na segunda metade, explorou a avenida que havia pelo lado esquerdo são-paulino, chegava à linha de fundo com facilidade e colocou Lúcio e Edson Silva em estado de alerta. Tanto martelou que fechou a conta com Maxi Biancucci. O Vitória faz campanha notável pela regularidade, insistência e qualidade.

Autuori terá muito pela frente. Vai precisar mais do que conversa para reerguer o time. Tem gente sumida, apagada, perdida. Caso exemplar é Ganso. Onde, afinal, foi parar o futebol de encher os olhos que exibia no início de carreira no Santos?

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