A “Bombonera” paulista de Calleri

Antero Greco

14 de abril de 2016 | 00h24

Jonathan Calleri usa a camisa número 12.

E com o uniforme faz mágica: transforma o Morumbi em sua casa, uma La Bombonera gigante, encarna os tempos de Boca Juniors e desanda a fazer gols.

Foi assim contra o Trujillanos e agora contra o River Plate, na suada vitória por 2 a 1, diante de mais de 50 mil torcedores.

O ex-jogador do Boca Juniors executou seu número com frieza e ao final da partida exibia um sorriso de orelha a orelha, quando perguntado se fazer gols no River tem sabor diferente.

“No…” Claro que tem, Calleri. O sorriso não combina com a resposta.

E a briga com D’Alessandro e Vangioni?

“O que acontece na cancha, fica na cancha….”

Outra resposta fabricada.

É claro também que o atacante tricolor não vai esquecer dos tabefes que levou dos adversários na confusão que aconteceu no segundo tempo e que deixou o River com um jogador a menos, quando o placar ainda era 2 a 0 para o São Paulo.

Na briga, Calleri ficou apenas com um cartão amarelo.

O juiz uruguaio Andrés Cunha foi bonzinho com ele, talvez convencido pelas palavras de Lugano, que entrou em campo e falou um monte no ouvido do conterrâneo.

Aí entrou a sabedoria de Paulo Henrique Ganso, que sugeriu ao técnico Egdardo Bauza que tirasse Calleri do jogo, a fim de que também não fosse expulso e ficasse fora do jogo decisivo contra o The Strongest, em La Paz.

Um simples empate classifica o São Paulo para a próxima fase da Libertadores.

Depois de um início decepcionante, a equipe reagiu na competição e vem de duas vitórias.

O jogo contra o River não foi um primor, mas o time foi feliz. Lutou e teve Calleri em noite inspirada. No primeiro tempo, mostrou oportunismo e fez um gol de centroavante: enchendo o pé. No segundo tempo, depois de um domínio total do River, que sufocou o tricolor, ele usou a malandragem de homem de área, empurrou o zagueiro inimigo e cabeceou para o fundo da rede sem sequer tirar os pés do chão: 2 a 0.

Depois veio a briga e o único gol do River. Tudo assistido com atenção por Calleri, que ficou vendo os instantes finais no banco de reservas. Parecia um autêntico Boca e River.

Só que era na La Bombonera gigante do artilheiro da Taça Libertadores, agora com 7 gols.

(Com participação de Roberto Salim.)

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