A bronca de Luxemburgo

Antero Greco

30 de janeiro de 2015 | 12h58

A gente pode discordar muito do Vanderlei Luxemburgo, e ele até dá motivos para isso. Mas, desta vez, estou totalmente ao lado do técnico do Flamengo. Ele lamentou a lei da mordaça que há em torno do Campeonato Carioca, pois o regulamento ameaça com punição quem se atrever a fazer críticas em público. Ou seja, a competição é inatacável, por mais que tenha falhas.

Luxa lembra que o silêncio impositivo contraria o espírito democrático – e até a Constituição nacional. Usa um exemplo prático e forte: fala-se tudo a respeito de presidente do Brasil, de políticos, de instituições e não se pode fazer observações sobre um torneio de futebol.

Um exagero, um abuso, com o qual os clubes concordam, no mínimo por omissão. Mas, no fundo, é por subserviência. Os ensaios de rebelião profunda, de fato, modificadora, ficam só na teoria, numa conversa fiada. Na prática, todo mundo abaixa a cabeça.

O direito de manifestação é de todos, não faz sentido agir com mão pesada, sobretudo no esporte, que deveria ser sinônimo de participação coletiva. Tal comportamento autoritário é típico de quem não confia no próprio taco e teme os reparos.

Jogadores e treinadores fazem o espetáculo, são os mais diretos envolvidos. Sobre eles recaem atenção, expectativa e cobranças dos torcedores. Deveriam ser ouvidos, sempre. E têm o direito, diria a obrigação até, de apontar falhas, de botar a boca no trombone. Não podem ser tratados como peças secundárias.

Estou com o Luxemburgo nessa.

PS. Infelizmente, não é só no futebol que há essas “cartilhas”. Em outros esportes, também.