A caminhada do Brasil é longa, mas toma rumo certo

Antero Greco

07 de setembro de 2016 | 00h30

Quando Tite foi escolhido para substituir o técnico Dunga e Gilmar Rinaldi, o Brasil do futebol respirou aliviado. Quando a seleção venceu o Equador, em Quito, por 3 a 0 ficou claro que se iniciava uma nova era.

E quando Miranda fez o gol contra a Colômbia, logo a dois minutos de jogo, após cobrança de escanteio, em Manaus, eu vou confessar uma coisa: meu primeiro pensamento foi torcer por uma goleada que espantasse todos os fantasmas dos últimos anos, levando junto todos os dirigentes da CBF.

Claro, que eles saindo, um ar mais puro e respirável se espalharia pelos nossos estádios, torcedores violentos seriam expulsos, os jogadores teriam seus direitos respeitados e as manobras de bastidores seriam banidas para sempre.

Mas é óbvio que era só um delírio!

A goleada não aconteceu na Arena da Amazônia, mesmo porque o time treinado por José Pekerman não é um adversário qualquer. A Colômbia tem esquema de jogo, toque de bola e um meia da estirpe de James Rodriguez.

Daí que apesar da excelente exibição do ala Marcelo e de Neymar pela esquerda, o primeiro tempo foi equilibrado. E também em um lance de bola parada, numa cobrança de falta de James Rodriguez, o zagueiro Marquinhos desviou de cabeça e marcou contra: 1 a 1.

O segundo tempo prometia: aos 5 minutos, o colombiano Muriel finalizou com perigo, logo depois, Neymar – em noite especialmente elétrica – deu um corte e driblou dois zagueiros inimigos, em um lance de cinema. Tudo seguia rigorosamente igual, quando Tite colocou Philippe Coutinho no lugar de William. Ele entrou e deu a impressão de conhecer todos os atalhos do campo: dominou o setor de criação, achou espaços e ajudou o Brasil a chegar à vitória.

Quando Neymar recebeu seu passe pelo setor esquerdo, sabia exatamente o que fazer. Ele bateu cruzado, sem chance para Ospina: 2 a 1, aos 29 minutos. No fim foi o jogador mais procurado para as entrevistas, enquanto Neymar finalmente deixava um Brasil e Colômbia sem brigas. Recebeu até os cumprimentos do técnico adversário.

A seleção agora está a apenas um ponto do Uruguai, que lidera as Eliminatórias Sul-americanas da Copa do Mundo.

O Brasil não ganhou de goleada, mas já se respira um outro ar com a chegada de Tite. Quem sabe esse ar não se torne irrespirável para os dirigentes que ainda estão na CBF.

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