A camisa do Neymar

Antero Greco

19 Novembro 2015 | 20h22

A cena foi logo após o jogo em que o Brasil ganhou do Peru, pelas Eliminatórias, em Salvador. Segundos depois do apito final, Neymar tirou a camisa 10 e foi oferecê-la ao árbitro José Bruitago. O colombiano recusou o presente.

Pois é, no mundo maravilhoso do futebol mundial, cheio de decência e honestidade fez bem o colombiano. Não deveria mesmo pegar a camisa do Neymar. Onde já se viu?

Pelo menos na opinião de quem considerou atrevido o gesto do brasileiro.

Por quê? Ah, talvez porque seria uma confissão pública de que participou dos três gols brasileiros: cabeceou a bola no primeiro, desviou do goleiro no segundo e deu um chutaço no terceiro gol contra os peruanos.

Bobagem, apenas aparência. No fundo, hipocrisia. Se tivesse dado o presente nos vestiários, longe de testemunhas, poderia? Subornar arbitragens, por exemplo, pode?

Às vezes, os sentinelas exageram no superficial e pecam no mais profundo. Parece antiético dar camisa ao juiz, depois da partida, mas falta investigação apurada a respeito de arbitragens danosas.

Durante muito tempo se fecharam os olhos para a Fifa, para a Conmebol, para a atuação de dirigentes que se vestem com apuro, promovem viagens e distribuem convites para figurões e figurinhas de todas as áreas.

 

 

Só falta pedirem punição para Neymar…

O mundo do futebol é podre, e tem quem goste de pintá-lo com cores suaves.

(Com Roberto Salim.)