A certeza de Muricy: ‘Com força total, vamos arrancar na reta decisiva’

A certeza de Muricy: ‘Com força total, vamos arrancar na reta decisiva’

Antero Greco

15 de setembro de 2010 | 09h18

Foto: Wallace Teixeira/DivulgaçãoMuricy Ramalho não tem nem cinco meses de Fluminense ­– chegou ao clube no fim de abril, depois de passagem breve pelo Palmeiras. Mas nada lhe tira da cabeça que o clube estará em condições de comemorar, em dezembro, o segundo título do Brasileiro de sua história – o primeiro e único, por enquanto, veio sob o comando de Carlos Alberto Parreira, em 1984. “Este time completo, com todos os titulares bem, pode atropelar na reta final. Vamos arrancar na hora certa”, garantiu, na terça-feira à noite, por telefone, já na concentração para o jogo desta quarta com o Corinthians.

A experiência dos três títulos com o São Paulo (2006/07/08) lhe mostrou, porém, que a arrancada se dá em várias etapas, num campeonato de pontos corridos. Uma delas será nesta noite, no Engenhão, diante de um rival direto. Por isso, mesmo com baixas importantes, como as de Fred, Emerson, Diogo e Diguinho, garante que os torcedores não verão o time tricolor intimidado com a força de um rival de peso. “Não sabemos jogar pra trás, não somos assim. Não é à toa que temos um dos melhores ataques.”

Confira trechos da entrevista com o treinador, que em 30 de novembro completa 55 anos de vida e quase o mesmo tanto de futebol. Claro, entram nessa conta as peladas nas ruas do paulistano bairro da Vila Sônia, já a partir do fim dos anos 1950.

O jogo com o Corinthians é aquele que vai definir o rumo do Fluminense?
Muricy Ramalho – Conversei muito com os jogadores e mostrei pra eles que, todas as vezes em que ganhei o Brasileiro, sempre tivemos vários jogos decisivos. Aqueles em que, no fim, a gente vê como foram importantes A conquista não viria, se tivéssemos perdido. Este de agora com o Corinthians é um deles. Porque é um time forte, está perto da gente. Falo e falo toda hora, sou repetitivo, porque jogador esquece.

E você costuma citar algum jogo específico?
(Pausa)  Teve um com o Botafogo, agora não lembro direito o ano, que foi aqui no Rio. O Botafogo estava embalado, nós jogamos com baita garra, ganhamos e não paramos mais. O Botafogo, depois daquele jogo, não se encontrou. No campeonato de agora, subimos a partir da vitória sobre o Santos, na Vila [1 a 0, em 18 de julho], com Robinho, Neymar, Ganso, todo mundo.

Mas seu time caiu nas últimas rodadas. Perdeu o pique?
Futebol é engraçado, porque os caras só analisam os resultados. Estamos sem o Fred, o Emerson, o Diogo e o Diguinho. Os quatro são fundamentais pro time. O Fred e o Emerson são a dupla de ataque. Os outros dois seguram a onda na marcação. Quando eu tiver todos eles de volta, vamos ser muito fortes de novo. Podemos arrancar justamente na reta final do campeonato. O importante é que, mesmo na fase irregular, a gente está na liderança. Não saímos do primeiro lugar.

É questão de estrutura?
Temos muita coisa pra mexer ainda na nossa estrutura. O clube ajuda, o patrocinador também, mas no ano que vem, vamos mudar bastante. Não me preocupei com isso agora, senão o campeonato ia passar e a gente não brigava pelo título.

Há quem diga que o time caiu com o Deco.
Não caiu, não. Com o Deco, o Conca e o time completo, ganhamos de 3 a 0 do Goiás, em Goiânia, e jogando muito. O Emerson, por exemplo, é um cara que faz falta, porque ele é rápido pelas laterais do campo, abre espaços para os outros. Sem ele, perdemos essa opção. O Diogo e o Diguinho também liberam o Deco e o Conca. Não tivemos essa queda por causa de um jogador ou outro. Tenho esses dois e mais nove que entram em campo. Eles também têm responsabilidade.

O Fluminense tem tomado gols no final das partidas. Por quê?
Contra o Atlético, domingo, em Goiânia, nós fomos pra cima. Quando eles perderam um jogador [o zagueiro Gilson, expulso no segundo tempo], eu tirei um zagueiro [André Luís] e coloquei o Marquinho, mais ofensivo. Era uma forma de pressionar. Eu queria ganhar e arrisquei. Se quisesse garantir o empate, deixava como estava. Às vezes, a gente se arrisca e perde. Assim, a gente ganhou 5 jogos fora de casa.

Contra o Corinthians, você vai se arriscar também?
Meu time joga dessa forma sempre, não sabemos jogar pra trás. Não é por acaso que temos um dos melhores ataques. Respeito o Corinthians, tem muito jogador bom, está na briga pelo título, deu descanso pra uns titulares, mas não tem como ficar intimidado em casa.

Mas é o Corinthians seu maior adversário na luta pelo título?
Não. Tem o Inter, o Cruzeiro, o Botafogo que está muito bem, o São Paulo reagindo, o Atlético Paranaense deu uma melhorada. E o Santos. Com o time de antes, pra mim era o melhor. Mas ainda é o que tem esquema diferente, mais atrevido.

Dias atrás, você elogiou o Conca e parece que deu uma cutucada em algum jogador…
Nada disso. Não tenho essa de segundas intenções. Quando quero falar pra alguém, digo na cara. Não mando recado. No caso do Conca, eu estava enchendo a bola, porque merece. O gringo é demais: treina, não chia, não reclama nunca. Está sempre na dele, os jogadores gostam demais dele. Apanha em campo porque é pequenininho, mas não tem medo de ser caçado, nem vai na televisão reclamar. Tem aquela coisa de argentino raçudo. É um cara muito legal, como profissional e como pessoa.

Nessa turbulência toda, você ainda acredita no título?
Como falei, com a volta desse pessoal machucado, ficamos fortes de novo. Temos consistência e moral pra chegarmos em primeiro. Acredito mesmo.

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