A conveniente explicação para a saída de Dorival

Antero Greco

17 de março de 2013 | 00h00

Não me convenci com o motivo oficial para a saída de Dorival Júnior do Flamengo. O clube alegou que a ruptura ocorreu por falta de acordo em relação a salário. Foi proposta redução de 50% do que o treinador recebia, e ele admitia ceder no máximo 40%. Diante do impasse, se optou pelo fim da relação trabalhista entre as duas partes.

Nessa história se juntaram a falta de apetite com a vontade de não comer. A nova direção do Fla desde o começo não mostrou entusiasmo com o trabalho de Dorival, herança do comando anterior. Lembro que já na época da eleição, as respostas eram evasivas em torno do futuro do técnico. Aquele papo de esperar para ver. E se viu que não havia conforto e confiança absolutos de ambos os lados.

Daí surgiu a questão financeira. O Flamengo anda com as contasem frangalhos. Pelovisto, o rombo é espetacular e a cartolagem de agora estuda onde e como cortar gastos. Puxa dali, estica daqui, se chegou a Dorival Júnior. Não sei, nem me interessa saber, quanto ele ganha. Mas, pelo visto, era uma soma interessante.

Como suponho isso? Ora, onde já se viu propor corte pela metade nos vencimentos de um funcionário? Onde existe isso? E, mais grave, como é que o empregado topa abrir mão do que ganha, mas “só de 40%”, com a promessa de ceder mais 10% no meio do ano? Até onde sei, normalmente empregados e patrões fazem escalonamento para aumento e não para diminuição de salário! Ou o mundo agora mudou?

Está na cara que usaram a conversa do enxugamento no orçamento como forma de pressionar a saída de Dorival, que acumulou 15 vitórias, 12 empates e 10 derrotas nos sete meses que passou na Gávea. Bom, mas não muito para  um treinador que ainda não tem costas largas suficientes para desenvolver projeto de longo prazo em clube popular.

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