A coragem do Cruzeiro

Antero Greco

10 de fevereiro de 2015 | 18h28

O Cruzeiro teve gesto de coragem e independência ao contratar Paulo André. O zagueiro de 31 anos é mal visto pela cartolagem nacional por integrar a linha de frente do Bom Senso FC. Não foi por acaso que passou a temporada de 2014 na China, numa espécie de desterro remunerado.

A atitude da direção do bicampeão brasileiro foi valente. Embora não se pronuncie oficialmente, a CBF pressionou anteriormente clubes interessados em repatriar Paulo André. A entidade prefere ver o diabo do que topar com o moço pela frente. Ele incomoda, por sair do lugar-comum do atleta que baixa a cabeça para tudo que lhe impõem e ainda significa referência na profissão.

Li declarações de dirigentes do Cruzeiro nas quais reafirma a autonomia do clube para contratar quem quiser, sem temer desdobramentos. Ora, isso é mais do que natural e um direito incontestável. Paulo André não é um marginal, fora da lei ou algo do gênero. “Apenas” é um atleta que pensa.

Por isso, já foi apresentado ao torcedor, treina na Toca da Raposa e fica à espera de chance do técnico Marcelo Oliveira. Não o coloco na conta de craque, mas de jogador acima da média. E pode ser útil aos desafios do Cruzeiro, sobretudo na Libertadores.

Em tempo: que retaliação o Cruzeiro poderia sofrer por contratá-lo? Fiquemos atentos.

 

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