A difícil hora de parar: Viola agora vai jogar no Juventus

Antero Greco

17 de dezembro de 2010 | 12h29

Viola completa 42 anos no dia 1º de janeiro e será um dos integrantes do elenco do Juventus na disputa da Série A-3 como eufemisticamente é chamada a Terceira Divisão Paulista. O clube da Mooca recorreu ao mais do que experiente centroavante – terá também o volante Gilmar Fubá, 35 – como um dos recursos para subir um degrau no torneio doméstico. Dará certo? Quem sabe. A promoção pode vir, pelo restante do grupo e não por aquilo que deve apresentar um jogador há muito tempo sombra de si mesmo.

Viola é figurinha manjada no futebol. Já foi carimbada, hoje é repetida. Eu o vi ganhar destaque no Corinthians, ao marcar o gol do título estadual de 1988, contra o Guarani, em Campinas, numa final emocionante. Uma semana depois daquela proeza que o projetou, acompanhei ao lado da fotógrafa Norma Albano (então no Estadão) a mudança dele de uma vila popular na Zona Norte para um apartamento modesto na Zona Leste, propriedade do antigo presidente Vicente Matheus e bem perto do Corinthians.

Os anos vividos no Parque São Jorge, até a metade da década de 1990, foram os melhores de uma longa trajetória. O auge veio no polêmico gol anotado na final do Paulista de 1993, contra o Palmeiras. Aquele em que comemorou imitando um porquinho e despertou a ira dos palestrinos. Um gol com efeito insólito, pois estimulou Edmundo, Evair & Cia. a darem o troco, com os 4 a 0 no duelo seguinte e o consequente fim do jejum alviverde.

Ainda fez parte do grupo tetracampeão do mundo em 1994. Em seguida perambulou por mais de uma dezena de clubes, com passagens razoáveis pelo próprio Palmeiras, além de Santos, Vasco. Na maior parte das vezes, porém, valeu-se da habilidade para promover-se como forma de compensar futebol irregular e a falta de gols. Suas investidas mais recentes incluem times como Duque de Caxias, Uberlândia, Angra dos Reis, Resende, Brusque. Ainda nos anos 1990, no topo da carreira, ficou meses no Valencia e forçou o retorno, sob a alegação de que não se adaptara aos hábitos alimentares da Espanha.

Viola é mais um exemplo de caso comum no futebol – o do jogador que teve cartaz e não consegue parar. Não se dá conta de que o tempo é o marcador mais implacável que existe – atinge tanto o craque quanto o perna de pau. O momento de pendurar as chuteiras é delicado, pessoal, íntimo. Não condeno quem retarde essa decisão difícil. Só lamento e torço para que saiba superar a fase de transição.

De qualquer modo, prefiro guardar a imagem boa de Viola no Corinthians – não a do figurante de reality show ou de vovô da bola que agora poderia divertir-se em peladas de fim de semana em vez de prolongar o rito de passagem dos gramados para aaposentadoria. Mas a vida é dele, e faça o que o deixe feliz.

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