A Fifa e parceiros podem dormir sossegados

Antero Greco

06 de dezembro de 2011 | 21h25

Um tempo atrás, a Fifa andou preocupada pra burro com a possibilidade de enfrentar barreiras para garantir lucro no Mundial de 2014. Sobretudo no que dizia respeito à liberação de bebidas alcoolicas nos estádios e à meia-entrada. Esses entraves, originados por leis brasileiras, provocaram reclamações da entidade que manda no mundo da bola e não faltaram recados um tanto apimentados dados pelo secretário geral Jerome Valcke.

A Fifa pelo jeito agora pode aquietar o facho. O relator da Lei Geral da Copa, o deputado Vicente Cândido, do PT de São Paulo, já se mostrou favorável à liberação de cerveja e à limitação da meia-entrada. Só falta a aprovação da comissão especialmente formada para analisar o conjunto de regras especiais para o Mundial. O deputado foi mais longe, ao sugerir que as bebidas sejam vendidas sempre e não só na Copa. Quer dizer, o que fazia mal ontem, agora se mostra inócuo.

Na época em que surgiu a polêmica, a Fifa vendeu a ideia de que a Copa no Brasil estava ameaçada, se não houvesse relaxamento em pontos críticos e com os quais não concordava. Soprou o balão de ensaio e houve quem tenha embarcado nele, por interesse ou por ingenuidade. Agora, todos podem dormir tranquilos. O governo ainda vai ensaiar contrapartidas, mas no fim das contas se contentará em ter feito barulho.

Escrevi neste blog, e em minha coluna no Estado, que não havia risco nenhum. A Copa só sairia do Brasil se a Fifa de fato fosse importunada, se não fossem construídos os estádios (vários deles candidatíssimos a se transformarem em elefantes brancos) e se estourasse uma guerra civil. Como vivemos aparentemente em paz, como nossa economia não vai mal das pernas e como as arenas sobem livres e soltas, você acha que a Fifa vai querer arranjar sarna pra se coçar?

Vá lá que Joseph Blatter e Ricardo Teixeira andam estremecidos (pra mim, isso vai só até a página 5). Porém, ambos são empresários e não rasgam notas de 100 euros à toa. Podem até não trocar juras de amor, mas não são tolos. Para eles funciona o lema: Inimizades, inimizades, negócios à parte.

E, nunca é demais lembrar: prepare o bolso para pagar a conta da Copa. E veja se não reclama que se investe muito dinheiro nisso e pouco em obras sociais, como hospitais, por exemplo. Como disse aquele sábio: “Uma Copa não se faz com hospitais, mas com estádios.”

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