A irritação de Carpegiani e a bronca do presidente da FPF

Antero Greco

18 de abril de 2011 | 19h35

Li que Marco Polo Del Nero, presidente da Federação Paulista de Futebol, não gostou das críticas que Paulo Cesar Carpegiani fez ao regulamento do campeonato estadual. O treinador do São Paulo chiou porque seu time terminou a primeira fase na liderança e não terá praticamente vantagem alguma nas quartas de final. O cartola insinuou que o caso poderia parar no tribunal esportivo, que julgaria a insolência do técnico.

Os dois lados têm direito de sentir-se ofendidos, ao mesmo tempo em que não têm razão. A FPF se chateia por ouvir críticas ao torneio que organiza e cuja tabela e regulamentos estão prontos desde o final do ano passado. De fato, não é bacana ouvir reclamação agora. Carpegiani fica magoado porque, depois de 19 rodadas inúteis, percebe que seu time pode ser eliminado pela Lusa, já que há confronto único. Verdade: ficou na frente dos demais e, por ironia, topa com um rival tradicional e contra o qual já quebrou a cara no passado.

Carpegiani é o lado mais frágil nessa história. Os dirigentes do São Paulo deveriam ter sido atentos quando lhes foi apresentado o regulamento do Paulistão de 2011. Não fizeram restrições na hora certa e não adianta nada choramingar depois. A esta altura, como disse o Felipão no domingo, o negócio é jogar bola e pensar apenas na possibilidade de título.

Lembro de conversa que tive, há alguns anos, com Marcelo Portugal Gouvea, ex-presidente do São Paulo. Ele admitiu que, em Conselhos Arbitrais, em geral a cartolagem se preocupava em jogar conversa fora, ao mesmo tempo em que dava uma olhadinha por alto na chateação dos parágrafos e itens afins. Só com as competições em andamento se davam conta de eventuais absurdos; daí choviam impropérios contra os organizadores. Claro, tarde demais.

Não acredito em punição para Carpegiani, pois isso seria uma atitude de “fariseu”, como se dizia no Bom Retiro velho de guerra. Mas ele não deixa de ter razão: faz tempo que não vejo um campeonato mais sem graça como o Paulista deste ano. Foram 190 jogos desperdiçados. Muito barulho por nada.

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