A opção de Elias

Antero Greco

03 de abril de 2015 | 18h21

Elias diz que Cristian González, do Danubio, o insultou durante o jogo de quarta-feira, em que o Corinthians venceu por 4 a 0 pela Libertadores. O uruguaio teria usado o termo “macaco” para ofender o meia brasileiro. Companheiros do corintiano confirmaram o comportamento agressivo do adversário, que não foi sequer advertido pelo árbitro da partida. (O juiz nem relatou o episódio na súmula.)

Esperava-se que Elias botasse a boca no trombone, mas evitou polêmicas, tanto no intervalo (ao driblar as perguntas) como após o jogo (saiu às escondidas do estádio em Itaquera). No dia seguinte, num comunicado, lamentou a postura do colega de profissão, admitiu a mágoa e fechou a história ao dizer que sentia pena e não raiva pela atitude tomada dentro de campo.

Elias, com respaldo do Corinthians, preferiu não levar o caso adiante – e isso ocorreria se fosse a uma delegacia apresentar queixa de injúria racial. González provavelmente seria chamado a depor, com o risco de ser detido. Fato semelhante aconteceu anos atrás com o argentino Desábato, que xingou Grafite num jogo entre Quilmes e São Paulo.

A opção de Elias pode ser encarada como madura ou como falta de consciência; ambas não estão fora de sentido. Há uma corrente de opinião que defende reação dura por parte de quem foi ofendido por cor da pele. A alegação é a de que, se nada for feito, o racismo não será extirpado. Outros entendem que a decisão cabe apenas ao agredido e deve ser respeitada.

Entendo que Elias poderia ao menos dar um susto em González, para deixar de ser folgado, para ver que não se ataca alguém e fica por isso mesmo. Ao mesmo tempo, respeito o corintiano, que deu resposta no gramado, com gol e bela apresentação. Fora dele, escolheu o silêncio.