A pequena escolha do Palmeiras

Antero Greco

25 de junho de 2012 | 18h23

A diretoria do Palmeiras escolheu a Arena Barueri para o primeiro jogo com o Coritiba, no dia 5 de julho, pela final da Copa do Brasil. A opção pelo estádio teria sido feita com base na preferência dos jogadores e porque o local tem uma “certa mística”. A segunda partida está confirmada para o Couto Pereira, em Curitiba, no dia 11.

A alternativa palmeirense ignora a possibilidade de ter o dobro (quase o triplo) de público, se o duelo fosse disputado no Morumbi, por exemplo. Ou no mínimo caberiam mais 20 mil torcedores, se tivesse o Pacaembu como palco. Ok, descarte-se o estádio municipal paulistano, que na noite anterior terá a decisão da Libertadores e talvez não estivesse em ordem.

Os argumentos oficiais são frágeis. Não tem essa de deixar para os atletas escolherem onde jogarão. Os dirigentes é que tomam essas decisões – e estão ali para isso mesmo. É iludir o torcedor dar esse tipo de explicação. Por que o repentino surto de democracia da cartolagem? Por que não consultam as bases quando vão decidir calendários, horários de jogos, direitos de transmissão para a tevê, valores dos ingressos e das quotas de publicidade?

Falar, também, em “mística” da Arena Barueri é risível. Que mística? Que história tem esse belo (e com problemas de acesso) campo? É recente, o Palmeiras mesmo jamais conquistou nada lá, não houve nenhuma final importante. De onde tiraram essa história de astral diferente, especial. Que santo, que guru, que vidente sentiu essas vibrações?

Mais justo seria escancarar a verdade: jogadores, dirigentes, comissão técnica acreditam que, num estádio mais acanhado, talvez seja maior a pressão sobre o rival. Supõem que, assim, têm mais possibilidade de fazer um bom resultado e jogar mais folgados na volta. Mas talvez, apenas, porque o Coritiba tem mostrado valor, independentemente de onde jogue (atuou na Vila Belmiro, no domingo, e só não saiu com vitória por erro de arbitragem).

É mais correto o Palmeiras assumir o receio de falhar num campo maior e admitir que faz de tudo para conseguir um título. Um gesto menor,  que não condiz com sua história, mas que poderia ser justificado pela necessidade desesperada de uma conquista de peso. Mesmo que, dessa maneira, se prive de mais calor, de mais astral (aí, sim) do seu público. Não falo nem de renda.

Só não venham com papo de que atletas escolheram ou que tem mística. E boa sorte.

Tudo o que sabemos sobre:

Copa do BrasilCoritibaPalmeiras

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.