A versão de Valdivia

Antero Greco

03 de agosto de 2015 | 17h40

Jorge Valdivia é carta fora do baralho no Palmeiras. Não por contusão, como ocorreu no mínimo uma dezena de vezes. Mas porque não faz mais parte dos planos do clube, está com contrato por expirar e já tem acertada transferência para o futebol árabe ou seja lá de onde for.

Por se tratar de personagem importante e contraditório, foi procurado pelo Estadão e se dispôs a conceder entrevista, na qual daria a versão dele para os fatos recentes. O resultado foi uma página bem conduzida e bem escrita pelo repórter Daniel Batista. (Leia no link http://bit.ly/1MItZ9x).

Valdivia não é sonso, sabe expressar-se, tem inteligência e bom raciocínio. Ou ao menos usa das palavras para defender-se, falar o que considera desabafo e deixar no ar a sensação de que foi tratado com desdém pelos dirigentes do Palmeiras. Usa até o termo “papinho” para exprimir como foram as ofertas ou as conversas que teve para decidir o futuro dele na equipe que o recontratou em outubro de 2010.

O jornal fez o trabalho de ouvir, de abrir espaço para o jogador. Ao comentarista cabe ponderar, filtrar, analisar. E a conclusão a que chego é a de que Valdivia jogou com habilidade para dividir o sentimento do torcedor. Aliás, como sabe que as opiniões a seu respeito são muito díspares, tratou de falar para a parcela de palestrinos que o idolatra e não se conforma com o rumo que tomou a carreira.

Esses entenderão que Valdivia não teve tratamento vip, de astro ou coisa que o valha. É direito de acharem isso, mesmo que a estrela da companhia tenha faltado a tantos e tantos e tantos compromissos importantes. Os dias no departamento médico ou em academias de recuperação empatam (ou superam) aqueles em ação.

A parcela que o enxerga com olhar mais crítico não se convencerá de sua defesa, de que se sacrificou para jogar Série B, que teve propostas melhores, em outras ocasiões, e as deixou passar para ficar no Palmeiras. Ou, ainda, de que se sentiu enrolado nas negociações, já que o clube se esforçava por acordo com outros.

Valdivia pode falar o que for, mas os fatos atestam: seja pelos motivos que forem, ele entregou muito menos ao Palmeiras do poderia e se esperava. Esporádicos foram os períodos em que rendeu tanto no time como, por exemplo, na Copa América vencida pela seleção do país dele.

Valdivia sai pelas portas dos fundos, porque, infelizmente, ele contribuiu para tanto. Não terá lugar na história alviverde reservado para os grandes ídolos, se é que isso lhe faça alguma diferença. Mas, como todo ser humano, tem direito de ser feliz e ter sucesso, agora na Arábia.

 

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