A vez de o Flu entrar na galeria dos campeões da Libertadores?

Antero Greco

09 de fevereiro de 2011 | 02h02

O Fluminense tem a partir desta quarta-feira o desafio de entrar na seleta galeria de brasileiros a conquistar a Taça Libertadores. O atual campeão nacional é o único dos cinco representantes do país na edição deste ano do torneio continental que jamais fez a festa do título. Os demais já levaram o troféu para casa duas vezes. O Santos mandou nos movimentados anos 1960 (62, 63), o Cruzeiro ganhou em 76, 97, o Grêmio em 83, 95 e o Inter em 2006 e em 2010.

O Flu bateu na trave em 2008, ao perder a decisão para a Liga Deportiva Universitaria, no Maracanã, nos pênaltis (3 a 1), depois de vencer no tempo normal por 3 a 1. No primeiro jogo, derrota por 4 a 2 no Equador. A caminhada desta vez começa em casa – entenda-se Engenhão – diante do Argentinos Juniors, que teve seu momento de glória em 1985, em finais contra o América de Cáli (1-0, 0-1. 1-1 com 5 a 4 nos pênaltis). O time argentino depois retornou a seu modesto papel de coadjuvante, do qual nunca mais saiu.

A chance de o Flu superar obstáculos e alcançar a final é grande, assim como a dos demais brasileiros. Nas últimas 20 edições, as equipes domésticas só ficaram fora da luta pelo título em 1991, 1996, 2001 e 2004. No mais, foram nove títulos e nove vices (contando que, em 2005 e em 2006, a final foi caseira – primeiro com São Paulo/Atlético-PR, depois com Inter/S. Paulo).

Mais do que a estatística, o Flu tem a seu favor o conjunto. A base da campanha no Brasileiro de 2010 foi mantida, e a única baixa significativa ficou para Washington, que se aposentou. A diretoria conseguiu segurar jogadores como Conca, Mariano, Fred e ainda trouxe o goleiro Diego Cavalieri, mais Edinho, Araújo, Souza e Rafael Moura. Por enquanto, o técnico Muricy Ramalho aguarda recuperação de Deco e principalmente de Emerson.

É um bom elenco o do Fluminense, se se levar em conta que não há supertimes na região. Não me surpreenderá se for de novo à decisão. O primeiro grande teste da temporada foi no domingo, no clássico com o Botafogo, pelo Estadual do Rio. Perdeu por 3 a 2, mostrou brechas no sistema defensivo, mas tem espaço para melhorar.

O importante hoje é estrear com vitória, para aliviar a tensão, mesmo modificado, já que Fred cumpre suspensão e Leandro Eusébio é dúvida. Na fase de grupos, com seis jogos, a estratégia corriqueira indica bater os rivais como mandante e arrancar pelo menos dois empates como visitante. Dessa forma, com 11 pontos dificilmente se perde a vaga no Grupo 3, que tem ainda América-MEX e Nacional-URU. Depois, na fase de eliminação direta, a história é outra.

O ano promete para o Flu, embora Muricy aponte o Santos como o melhor brasileiro na Libertadores. Bom palpite, mas a conferir.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.