A Fifa nunca mais será igual. Tomara

Antero Greco

27 de maio de 2015 | 12h22

A quarta-feira, 27 de maio de 2015, pode tornar-se marco histórico no futebol. Talvez represente o dia em que começou a ruir uma das mais bem urdidas teias de corrupção e lavagem de dinheiro internacional. A prisão de gente ligada, direta ou indiretamente, à Fifa e a Confederações, tem chance de representar o desmoronamento de um esquema há muito denunciado, criticado, combatido, mas raras vezes acuado por ação policial.

Os detidos pelo FBI e Interpol não são bagrinhos, como normalmente ocorre em situações do gênero. É gente graúda, com voz ativa na entidade que comanda o esporte mais popular do mundo. Há cartolas de várias regiões, incluído José Maria Marin, ex da CBF e que atuou como bombeiro quando Ricardo Teixeira abandonou o navio três anos atrás.

Pode alegar-se que outros nomes deveriam integrar a lista – dirigentes europeus, por exemplo. Ou mesmo que a rede chegou perto de Joseph Blatter, presidente da entidade, o chefe da “família Fifa”, como ela se autointitula em convenções e em grandes eventos.  Talvez.

O fato notável, porém, é que pela primeira vez tantos caíram nessa malha e terão de responder a processo internacional. Se serão condenados ou não, é outra história. Como procedimento de praxe, têm direito a defesa, a julgamento. De qualquer modo, a humilhação pública já lhes foi imposta, pois sempre pareceram acima do bem e do mal.

A Fifa não terá mais como ser a mesma, não pode, está sem moral para tanto. Os jogos de cena, sobretudo nos discursos vazios nos períodos de Copa do Mundo, já soavam falsos; agora, muito mais. A movimentação desenvolta de seus líderes, que se comportam como estadistas, deverá ser contida. Governos precisam tomar mais cuidado com os planos da Fifa.

Excluir temporariamente os envolvidos nas investigações é o mínimo que poderia fazer, uma forma de dizer que não vai interferir na justiça. Só não garante que a lama não respingue na Fifa. Não como evitar.

O dia de hoje é notável também para a imprensa livre e independente. Muitos veículos de comunicação conseguiram ficar imunes aos braços poderosos da Fifa e Confederações a ela ligadas, e durante anos e anos colocaram o dedo na ferida. Jornalistas houve que foram perseguidos, sempre sob a alegação de que eram caluniadores. A verdade estava com eles e não com a mídia chapa-branca, amiga, parceira e sempre pronta a abafar escândalos.

Tomara os reflexos desse vendaval se espalhem pelas Federações nacionais. A esta altura deve ter muito cartola a perder o sono e a consultar advogados. Que fiquem sem dormir por muito tempo.

 

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