Seleção: Neymar passa, corre, marca, dribla…

Antero Greco

14 de junho de 2015 | 21h16

Para quem se satisfaz com pouco, a vitória do Brasil sobre o Peru por 2 a 1, de virada, foi motivo para soltar rojões. Para quem tem olhar crítico, o resultado na noite deste domingo, na estreia na Copa América, fez saltar à vista o que se sabe há cinco anos: a seleção depende, demais até, de Neymar. Com ele em campo, tem chance de surpreender. Sem ele, é time pra lá de comum.

A partida em Temuco, sul do Chile, foi a enésima repetição de roteiro visto com Mano, Felipão e agora com Dunga. O Brasil joga em função de Neymar, torce pela integridade física dele, pelos lampejos geniais, pelos dribles, chutes, passes e gols. E ele resolveu, com o gol de empate pouco depois de o Peru abrir o marcador e com a assistência para Douglas Costa garantir o resultado.

Ótimo que seja assim, dirá o otimista. Ainda bem que temos um jogador desse quilate. Pena que seja dessa maneira, contrapõe o realista, pois demonstra a entressafra brava que atinge o futebol daqui. Não há cabeças de bagre na equipe de Dunga. Mas certamente craque só tem um.

A estatística é fabulosa para quem ama os números. A seleção soma 11 vitórias consecutivas com o treinador, deve ser recorde de alguma coisa. (Sempre há uma nova marca superada hoje em dia). E o futebol apresentado? Limitado, pobre, quadradinho, instável até o momento redentor.

O susto inicial, em falha de David Luiz com colaboração de Jefferson, até passa. Isso acontece a todo momento e com qualquer time. Nem levo em conta. A questão está no desempenho geral. No primeiro tempo, Daniel Alves e Filipe Luís ainda desceram com constância, enquanto Fred e William se movimentaram, para abrir espaços para Neymar e Tardelli. E só.

Na etapa final, a equipe baixou rendimento como Bolsa de Valores em tempos de crise. Desapareceu praticamente todo mundo – exceção de Neymar, óbvio. Os laterais ficaram, Fred sumiu, Tardelli desapareceu, Fernandinho bateu, Elias se desdobrou.

As mexidas de Dunga revelaram que há muito o que fazer, tem gente demais que perderá espaço com o tempo. Mas realçaram a imprescindível onipresença de Neymar. Pode parecer birra, e sempre defenderei o craque, mas é perigosa essa situação.

Por cautela, é bom acendermos sempre velas de devoção e pedir proteção para o moço.