Alex, Danilo e quando o futebol traz solidariedade

Antero Greco

22 de setembro de 2016 | 22h43

O dia a dia nos atola de informações sobre corrupção, falcatruas, violência, indiferença, injustiças. De promessas fúteis e falsas esperanças.

No futebol, polêmicas sobre arbitragens toma mais espaço do que gols, dribles e conquistas. Cartolas aparecem mais do que jogadores. E jogadores se desrespeitam mutuamente.

No meio de tanta grosseria, há gestos de delicadeza. Deveriam ser rotina, mas viraram exceção. Por isso, precisam ter destaque. Por mérito e para incentivar atitudes semelhantes.

Caso da postura de Alex e Danilo, do Internacional, no jogo com o Fortaleza, na noite desta quinta-feira, no Castelão, pelas oitavas de final da Copa do Brasil. Segundos antes do apito final, Alex chocou-se com Pio, de cabeça, em disputa de bola na área colorada. O atacante da casa caiu e ficou zonzo.

Em seguida, após o encerramento desabou no meio do campo e precisou de atendimento médico, com ambulância e paramédicos em ação.

Pois Alex e Danilo não arredaram pé enquanto não viram a situação de Pio sob controle e pronto para fazer exames em hospital das redondezas. Os dois ficaram a pouca distância, a observar as reações do colega. Por solidaridade, companheirismo, cavalheirismo, gentileza e responsabilidade.

Alex esteve ali, porque participou da jogada, lance involuntário, acidente de trabalho. Danilo porque ficou chocado com a cena.

Ambos provavelmente nem se deram conta do valor do gesto. Foi movimento espontâneo, natural, próprio de quem tem sensibilidade e consciência. De quem não vê o futebol apenas como ganha-pão. Muito menos encara o que se passa em campo como “batalha”, confronto entre inimigos.

Alex e Danilo tiveram generosidade, agiram com grandeza e maturidade. O futebol agradece. A vida também.

 

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